A CPMI do INSS recebeu, nesta quarta-feira (5), os extratos bancários de Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, filho mais velho do presidente Lula. Os documentos registram 1.531 transações entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, com movimentação total de R$ 19,5 milhões.
Entre as entradas, constam três repasses do presidente ao filho, somando R$ 721 mil. A defesa nega qualquer envolvimento com as fraudes do INSS e afirma que todas as fontes de renda são legais e legítimas.
Os extratos mostram R$ 9,77 milhões em créditos e R$ 9,75 milhões em débitos no período. A principal fonte de receita foi o resgate de fundos de investimento, que somou R$ 4,4 milhões. Empresas das quais Lulinha é sócio com a esposa, Renata de Abreu Moreira — a LLF Tech Participações e a G4 Entretenimento e Tecnologia — transferiram R$ 3,2 milhões para a conta dele.
Os três repasses do presidente Lula incluem uma transferência superior a R$ 300 mil realizada em 22 de julho de 2022, no mesmo dia em que Lulinha depositou um cheque de R$ 157,7 mil assinado por Paulo Tarcísio Okamotto. A defesa afirma que os valores enviados pelo pai correspondem a adiantamento de herança legítima ou ressarcimento de custos do período em que Lula esteve preso.
Pagamentos a ex-sócios
Os documentos também registram repasses a dois ex-sócios. Entre 2022 e 2025, Lulinha transferiu R$ 704 mil a Jonas Leite Suassuna Filho em 17 transações — com valores entre R$ 1.500 e R$ 30,6 mil, descritos pela defesa como pagamentos de aluguel de imóvel em São Paulo. Kalil Bittar recebeu R$ 750 mil em 15 transferências entre janeiro de 2024 e outubro de 2025, identificadas como compra das cotas do ex-sócio na G4.
A chegada dos extratos é o desfecho de uma batalha política: em 26 de fevereiro, a aprovação da quebra de sigilo de Lulinha provocou tumulto, empurra-empurra e socos na CPMI — e o governo ainda tentou anulá-la junto ao presidente do Senado, sem sucesso. Saiba como o racha na base governista precipitou a entrega dos documentos.
Como Lulinha virou alvo da CPMI
O filho do presidente passou a ser investigado após a Polícia Federal apreender mensagens trocadas entre Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e Roberta Luchsinger — empresária apontada como amiga de Lulinha. Segundo as investigações, ela teria recebido pagamentos de Antunes para atuar na comercialização de produtos à base de cannabis medicinal junto a órgãos de saúde.
No mesmo dia em que os extratos chegaram à comissão, o ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu a quebra de sigilo da empresária, citando violação ao dever de fundamentação individualizada ao aprovar 87 requerimentos “em globo”. A decisão não alcançou a quebra de sigilo de Lulinha. Entenda a crise entre Dino e o Congresso após a suspensão.
A defesa denunciou o que classificou como vazamento criminoso dos documentos sigilosos e contestou a leitura dos dados: afirmou que a “soma de movimentações” não representa valores líquidos, pois um mesmo valor pode ser contabilizado múltiplas vezes ao transitar entre contas. Para a defesa, a divulgação reforça a ausência de qualquer vínculo entre Fábio Luís e as fraudes investigadas pela comissão.