Um submarino norte-americano atacou um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka nesta quarta-feira (4), escalando o conflito entre Washington e Teerã e aprofundando a crise no Estreito de Ormuz, bloqueado pelo quinto dia consecutivo.
Pelo menos 200 embarcações — incluindo petroleiros, navios de GNL e cargueiros — permanecem ancoradas em águas abertas ao largo do Iraque, da Arábia Saudita e do Catar, sem conseguir acessar os portos da região.
O impasse já provoca cortes diretos na produção: o Catar suspendeu a extração de gás e o Iraque reduziu a produção de petróleo por falta de espaço de armazenamento.
Ataque americano eleva tensão no conflito
O ataque do submarino ocorreu no mesmo dia em que o presidente Donald Trump prometeu oferecer escolta naval a embarcações que exportam petróleo e gás do Oriente Médio — medida apresentada como tentativa de conter a escalada dos preços globais de energia.
O bloqueio do estreito teve início em 28 de fevereiro, quando o Irã decretou o fechamento da rota como retaliação direta pela morte do líder supremo Ali Khamenei — episódio que reconfigurou o conflito no Oriente Médio. Desde então, o tráfego pela hidrovia — por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo e GNL do mundo — está praticamente paralisado.
Enquanto petroleiros se acumulavam à espera, a Guarda Revolucionária iraniana declarou controle absoluto sobre Ormuz e advertiu que qualquer embarcação que tentasse cruzar a passagem seria atacada.
Navio civil também é atingido
O porta-contêiner Safeen Prestige, com bandeira de Malta, foi danificado por um projétil enquanto navegava em direção ao extremo norte do Estreito de Ormuz. A tripulação precisou abandonar a embarcação, segundo fontes do setor de transporte marítimo.
Produção reduzida e mercados pressionados
A retenção já supera 200 embarcações, segundo estimativas da Reuters com base em dados da plataforma MarineTraffic. Centenas de outras aguardam fora do estreito, impossibilitadas de chegar aos portos da região.
O Catar suspendeu sua produção de gás natural liquefeito por falta de capacidade de armazenamento. O Iraque também cortou a extração de petróleo pelo mesmo motivo. Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait enfrentam dificuldades para exportar petróleo, embora ainda não haja confirmação de redução formal na produção dessas nações.
O impacto chegou imediatamente aos mercados: o Brent acumulava alta pelo terceiro dia consecutivo, negociado a US$ 83,07, pressionado diretamente pela paralisia no estreito — hidrovia por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do GNL consumidos no mundo.