A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, classificou como “crime grave” o vazamento de documentos sigilosos da CPMI do INSS e prometeu acionar as autoridades competentes. A nota foi divulgada após a imprensa publicar extratos bancários obtidos pela comissão.
Os advogados negam qualquer relação do filho do presidente com as fraudes investigadas e afirmam que nem eles nem o cliente tiveram acesso ao material divulgado.
Os extratos entregues à CPMI do INSS registram 1.531 transações bancárias de Lulinha entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, com movimentação somada de R$ 19,5 milhões — valor que engloba entradas, saídas e transferências internas entre contas do investigado.
A defesa esclarece que todas as fontes são legais e declaradas ao fisco: participações nas empresas LLF Tech Participações e G4 Entretenimento e Tecnologia, aplicações financeiras e rendimentos de herança.
Também foram reveladas transferências do presidente Lula ao filho. Os advogados explicam que os valores correspondem a adiantamento de herança legítima, reembolso de despesas assumidas por Lulinha durante o período em que o pai esteve preso e empréstimo à L.I.L.S. Palestras, empresa da qual herdou cotas de Dona Marisa Letícia.
Conforme apurado pelo Tropiquim, os extratos incluem três repasses do presidente Lula a Lulinha somando R$ 721 mil — valores que os advogados agora contestam como mal interpretados pela imprensa.
Argumento técnico e questionamento constitucional
A defesa rebate a cifra de R$ 19,5 milhões com um argumento técnico: relatórios de informação financeira registram o mesmo valor múltiplas vezes a cada operação — no recebimento, na transferência entre contas, na aplicação e no resgate. A “soma de movimentações”, segundo os advogados, pode superar em muito os recursos efetivamente possuídos, tornando a métrica irrelevante como indicador de riqueza real.
Na esfera jurídica, a defesa questiona a própria legalidade da quebra de sigilo aprovada pela comissão. A votação conjunta de 87 requerimentos teria violado a exigência constitucional de fundamentação individualizada para cada medida investigativa. O argumento é o mesmo invocado pelo ministro Dino ao suspender a quebra de sigilo de Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, na mesma CPMI.
No encerramento da nota, os advogados classificam o vazamento como a “abominável concretização” do risco de investigações servirem de “disfarces para manobras de interesse político” — traçando paralelo com as circunstâncias da morte de Dona Marisa Letícia, descrita como marcada por “perseguição política e midiática muito semelhante ao atual”.