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Caso Master: PF revela milícia, espionagem e propina a servidores do BC

Investigação detalha como 'A Turma' monitorava jornalistas, corrompeu servidores do Banco Central e ocultou R$ 2,2 bilhões

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso novamente nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal em São Paulo. A prisão, autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, também atingiu o cunhado Fabiano Zettel, que se entregou às autoridades.

A investigação vai muito além de fraudes financeiras: a PF mapeou uma estrutura paralela de espionagem, intimidação e corrupção de servidores do Banco Central — a chamada ‘A Turma’, descrita como milícia privada a serviço do grupo.

Milícia a serviço do banco

No centro da investigação está ‘A Turma’, grupo liderado por Luiz Phillipi Mourão, apelidado de ‘Sicário’, que atuava como braço de coerção e espionagem de Vorcaro. A estrutura realizava monitoramento de adversários e obtinha dados sigilosos de sistemas restritos da PF, do Ministério Público Federal e da Interpol, usando credenciais funcionais de terceiros.

Entre os episódios mais graves, a PF revelou que Vorcaro ordenou diretamente que seus homens forjassem um assalto para agredir fisicamente o jornalista Lauro Jardim, d’O Globo. Em diálogos interceptados, o banqueiro deixou explícita a intenção de mandar ‘quebrar todos os dentes’ do profissional, que havia publicado notícias sobre o banco.

Logo após ser solto, em 2025, Vorcaro teria iniciado o ‘Projeto DV’, contratando influenciadores para atacar publicamente a reputação do Banco Central.

Servidores do BC cooptados

A investigação identificou dois servidores do Banco Central que atuavam como consultores informais de Vorcaro: Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, ambos em cargos de chefia. Os dois revisavam documentos do próprio departamento onde trabalhavam antes de sua formalização e antecipavam informações sensíveis da autarquia.

Paulo Sérgio chegou a alertar Vorcaro sobre movimentações detectadas pelos sistemas de monitoramento do BC, permitindo que o banco adotasse medidas para evitar questionamentos regulatórios. As ‘consultorias’ eram pagas via contratos simulados e custeio de despesas pessoais, incluindo uma viagem do servidor e sua família aos parques da Disney e Universal em Orlando.

Antes das prisões desta quarta, o Banco de Brasília havia tentado comprar 58% do Master por R$ 2 bilhões — operação barrada pelo Banco Central em setembro de 2025 por falta de documentos que comprovassem viabilidade econômica, revelando as fragilidades do conglomerado muito antes da atual fase da investigação.

R$ 2,2 bilhões escondidos enquanto FGC sangrava

Em janeiro de 2026, a Segunda Fase da Operação Compliance Zero bloqueou R$ 2.245.235.850,24 em uma conta vinculada ao pai de Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, mantida na CBSF DTVM — conhecida no mercado como REAG. A defesa do pai negou ser titular da conta.

A PF traça uma comparação direta entre a ocultação e o rombo causado pelo Banco Master: quase R$ 40 bilhões no mercado financeiro, valor hoje coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Os investigadores apontam que a conduta delitiva ‘se perpetuou mesmo após’ a soltura do banqueiro.

Além de Vorcaro e Zettel, a operação prendeu Luiz Phillipi Mourão, em Belo Horizonte, e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado que utilizava contatos da carreira para coletar dados sensíveis. Outros quatro investigados cumprem medidas cautelares.

O ministro Mendonça também criticou a Procuradoria-Geral da República, que havia sugerido não haver urgência no caso. O relator afirmou lamentar a postura da PGR diante de ‘robusto quadro fático-probatório’ e que a demora se revelava ‘extremamente perigosa para a sociedade’.

Com a prisão preventiva confirmada pela Justiça Federal em São Paulo, Vorcaro e Zettel foram encaminhados ao CDP 2 de Guarulhos — e investigadores apontam que dos 111 celulares apreendidos nas operações da PF, apenas 10% foram periciados até agora.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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