O Banco Central afastou dois servidores de seu quadro permanente após identificar indícios de vantagens indevidas recebidas durante os processos de fiscalização e liquidação do Banco Master.
Os afastados são Paulo Sérgio Neves de Sousa, ex-diretor de fiscalização, e Bellini Santana, ex-chefe do departamento de supervisão bancária.
O caso veio à tona nesta quarta-feira (4), durante a 3ª fase da Operação Compliance Zero, que prendeu Daniel Vorcaro, dono do Master, e seu cunhado Fabiano Zettel, além de dois outros alvos não identificados.
Consultores informais de Vorcaro
Na decisão que autorizou a operação, o ministro André Mendonça, do STF, descreveu os dois servidores do Banco Central como uma espécie de consultores privados que trabalhavam como empregados do banqueiro. Segundo as investigações, eles antecipavam informações sigilosas sobre supervisão bancária e orientavam Vorcaro em reuniões institucionais — papel detalhado na cobertura da Operação Compliance Zero pelo Tropiquim.
A suspeita central é de atuação inadequada na supervisão do Master antes da liquidação da instituição, ocorrida após o agravamento da crise no fim de 2025. A 3ª fase da Compliance Zero apura um esquema de fraudes financeiras, com suspeitas de venda de títulos de crédito falsos, lavagem de dinheiro e corrupção.
Foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva, além de buscas, apreensões e bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões, segundo a PF. É a primeira operação sob relatoria de André Mendonça no STF, que assumiu o caso no mês passado.
Tornozeleiras, passaportes e apuração ampla
Além do afastamento cautelar imediato de suas funções, Paulo Sérgio Neves de Sousa e Bellini Santana foram obrigados a usar tornozeleira eletrônica e tiveram os passaportes recolhidos pela Polícia Federal.
Os dois estão proibidos de manter contato com os demais investigados na Compliance Zero e de acessar as dependências e sistemas do Banco Central.
A instituição instaurou procedimentos correcionais internos e comunicou formalmente os indícios à PF. Em nota, o BC garantiu que as condutas infracionais identificadas receberão a devida resposta sancionatória, de acordo com a lei.
Na esfera federal, a Controladoria-Geral da União também abriu processo administrativo contra os dois ex-servidores, apurando a consultoria ilegal que teria rendido propina em troca de informações sigilosas sobre a supervisão bancária. As defesas de Paulo Sérgio e Bellini Santana não foram localizadas até o momento.