O vice-presidente Geraldo Alckmin confirmou nesta quinta-feira (5) que deixará o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior no dia 4 de abril, prazo que define sua entrada formal na disputa eleitoral de 2026.
Apesar de a lei não obrigar o vice-presidente a renunciar ao cargo para concorrer à reeleição, ele precisa se afastar da pasta ministerial. O anúncio foi feito na abertura da coletiva sobre os dados da balança comercial de fevereiro.
Xadrez eleitoral em São Paulo
A saída de Alckmin do MDIC integra um movimento político mais amplo envolvendo os palanques eleitorais em São Paulo — o maior colégio eleitoral do país. No centro das negociações está o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Na última semana, Lula recebeu Haddad para um jantar no Palácio da Alvorada. No encontro, segundo relato de um assessor presidencial, o ministro ouviu do presidente que precisa dele para ajudar a consolidar a reeleição.
Historicamente resistente a disputar cargos eletivos em 2026, Haddad vem cedendo diante da insistência de Lula. Uma pessoa próxima ao presidente afirmou que o chefe do Executivo conseguiu convencer o ministro a avaliar a possibilidade de concorrer em São Paulo.
Pesquisas acendem o alerta no Planalto
O movimento ganhou urgência após pesquisas eleitorais mostrarem consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência e um afunilamento no segundo turno com Lula. Os números ligaram o alerta dos estrategistas de campanha e reforçaram o argumento para levar Haddad a disputar o estado.
Mesmo com o favoritismo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), integrantes do núcleo presidencial enxergam Haddad como o nome capaz de diminuir a diferença e trazer votos essenciais a Lula em São Paulo.
Dois dias antes do anúncio de Alckmin, Lula já havia convocado Haddad ao microfone durante a Conferência Nacional do Trabalho — num evento que o presidente transformou abertamente em ensaio eleitoral, antecipando o tom da disputa de 2026.