O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (3) que empresas do setor de Defesa estão fabricando novos armamentos em caráter emergencial para suprir a demanda gerada pela guerra contra o Irã. A declaração foi feita em entrevista ao site Politico.
O anúncio vem horas após o próprio Trump reconhecer, em publicação nas redes sociais, que os EUA “não estão onde gostariam” em termos de armamentos de ponta — afirmação que causou rebuliço no país.
O conflito entre EUA, Israel e Irã está no quarto dia. A guerra começou com bombardeios em Teerã que mataram o líder supremo Ali Khamenei e altos funcionários iranianos no sábado (28).
Arsenal americano entre defasagem e capacidade estratégica
Apesar do alerta sobre armamentos de ponta, Trump assegurou ao Politico que o Exército norte-americano possui estoques “praticamente ilimitados” de armas de médio e médio para alto alcances — garantindo, segundo ele, capacidade de combate continuada no conflito.
Trump afirmou ainda que o Irã estaria ficando sem lançadores de mísseis, sem apresentar nenhuma prova para a afirmação. “Eles estão ficando sem [armas] e estão ficando sem áreas de onde dispará-las, porque estão sendo dizimados. (…) Eles estão ficando sem lançadores”, declarou o presidente norte-americano.
O Exército dos EUA divulgou vídeos nos últimos dias do que descreve como bombardeios a lançadores de mísseis iranianos, mas sem emitir nenhum comunicado indicando quantos sistemas do tipo teriam sido destruídos.
O cenário de pressão sobre o arsenal americano se agrava com a escalada iraniana no Estreito de Ormuz, onde Teerã ameaça incendiar embarcações e já atingiu com drones um petroleiro que tentava cruzar a rota, conforme detalhado em reportagem do Tropiquim sobre a escalada iraniana no Estreito de Ormuz.
Maior onda de ataques anunciada e previsão de semanas de conflito
Na segunda-feira (2), Trump afirmou que a maior onda de ataques dos EUA contra o Irã ainda está por vir, possivelmente em breve. O presidente estimou que o conflito durará entre quatro e cinco semanas e defendeu a continuidade das operações militares.
Desde o início dos ataques no sábado (28), quase 800 pessoas foram mortas no Irã, segundo o Crescente Vermelho iraniano. Os bombardeios mataram o aiatolá Ali Khamenei e membros da cúpula militar e governamental do país.
Os EUA informaram no domingo que seis militares americanos foram mortos desde o início da guerra. Trump prometeu vingança: “Infelizmente, haverá mais [mortes] antes que [a guerra] acabe. Mas os Estados Unidos vão vingar seus mortos e desferir o golpe mais devastador aos terroristas”, afirmou o presidente.
A urgência na produção de armamentos se explica em parte pela intensidade da resposta iraniana: desde a morte de Khamenei, a Guarda Revolucionária anunciou novas ondas de ataques com modelos inéditos de mísseis e a Força Quds ameaçou que os responsáveis não estariam “seguros nem mesmo em casa”, como relatou o Tropiquim ao cobrir as reações de Teerã após o assassinato do líder supremo.