Celso Sabino, ministro do Turismo, entregou nesta sexta-feira (26) sua carta de demissão ao Palácio do Planalto. Apesar do gesto formal, Sabino atua nos bastidores para tentar permanecer no cargo, contrariando a decisão do União Brasil, seu partido.
O ministro busca apoio do presidente do PT, Edinho Silva, e, caso não consiga se manter, tenta indicar a secretária-executiva Ana Carla Lopes como sucessora.
Movimentações políticas e tentativa de permanência
Após entregar sua carta de demissão, Celso Sabino intensificou articulações para seguir à frente do Ministério do Turismo. Uma das principais estratégias é contar com o apoio de Edinho Silva, presidente do PT, que defende sua permanência. Segundo aliados, Edinho pretende dialogar com Antonio Rueda, presidente do União Brasil, para tentar convencê-lo a manter Sabino no cargo. O argumento é que o ministro foi alvo de pressão excessiva e pode fortalecer o palanque de Lula no Pará, mirando uma candidatura ao Senado em 2026.
O União Brasil, no entanto, já havia determinado a saída de Sabino na semana anterior, após romper politicamente e eleitoralmente com o governo Lula. A resolução do partido, de 18 de setembro, obrigava filiados a deixarem cargos federais em até 24 horas, prazo já esgotado. Parlamentares relatam que mensagens internas do partido têm tom de despedida e a Executiva avalia até mesmo um processo de expulsão contra Sabino.
Disputa pela sucessão e repercussão
Se não conseguir permanecer, Sabino tenta emplacar sua aliada de longa data, Ana Carla Lopes, atual secretária-executiva do ministério, como sucessora. Ana Carla é bem vista pelo grupo do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), devido à sua participação na organização da COP30 e trânsito político no estado.
No entanto, outros partidos também se movimentam para ocupar a vaga. Uma ala do PT defende a indicação de Marcelo Freixo, presidente da Embratur. O PDT manifestou interesse em disputar o espaço. No Palácio do Planalto, há discussões sobre uma possível recomposição na Esplanada, que poderia transferir o Ministério do Turismo ao PSD da Câmara, em troca da saída do partido do Ministério da Pesca.