Um ataque hacker ocorrido na sexta-feira, 29 de agosto, desviou cerca de R$ 710 milhões em transações não autorizadas via PIX, segundo a Sinqia, empresa que conecta bancos ao sistema. O incidente afetou principalmente o HSBC e a fintech Artta, conforme relatório da Evertec, controladora da Sinqia, divulgado à SEC dos EUA.
A infraestrutura central do PIX não foi atingida e segue operando normalmente, segundo a empresa.
Como ocorreu o ataque
De acordo com investigação preliminar, as transações fraudulentas que impactaram HSBC e Artta foram inseridas no ambiente PIX da Sinqia por meio da exploração de credenciais legítimas de fornecedores de tecnologia da informação. Após identificar o método, a Sinqia encerrou o acesso a essas credenciais para conter o problema.
O caso remete a outro grande ataque hacker registrado em julho, quando a C&M Software, que também conecta bancos ao PIX, teve sua infraestrutura invadida por meio do uso de credenciais de clientes. Na ocasião, a Polícia Civil rastreou o acesso até João Nazareno Roque, funcionário que teria cedido suas credenciais para viabilizar o ataque.
Pronunciamento das instituições afetadas
O HSBC, instituição mais impactada, informou que nenhuma conta de clientes foi comprometida e que medidas foram tomadas para bloquear transações suspeitas. O banco esclareceu que as operações irregulares ocorreram apenas em contas de um provedor, sem impacto direto nos fundos dos clientes.
A Artta afirmou que o ataque atingiu apenas as contas mantidas junto ao Banco Central para liquidação interbancária, sem afetar contas de clientes ou o ambiente interno da fintech.
Medidas tomadas e próximos passos
A Sinqia relatou que, ao detectar atividade suspeita no ambiente PIX, iniciou imediatamente uma investigação com apoio de especialistas forenses. A empresa isolou o ambiente afetado, desconectando-o do Banco Central, e está reconstruindo os sistemas em um novo ambiente com monitoramento e controles aprimorados. O Banco Central revisará e aprovará o novo sistema antes de sua reativação.
A Sinqia reiterou que não há evidências de comprometimento de dados pessoais e que o incidente está restrito ao ambiente PIX no Brasil. A empresa mantém contato com as instituições afetadas e promete atualizações assim que houver previsão de retorno das operações normais.
A Artta, por sua vez, destacou que interrompeu preventivamente as transações de saída no mesmo dia do ataque e está em contato direto com o Banco Central e a Sinqia para garantir a normalização das operações com segurança. A fintech reforçou seu compromisso com a integridade do sistema financeiro e a proteção dos clientes.