A defesa do general da reserva Mário Fernandes, ex-assessor de Jair Bolsonaro, reafirmou nesta quinta-feira (24) ao tribunal que o documento que previa o assassinato de autoridades era apenas um “pensamento digitalizado”. O general admitiu ser o autor do texto, mas negou qualquer tentativa de homicídio ou execução do plano.
O conteúdo, segundo a defesa, não passou de uma análise pessoal e não foi compartilhado. A Polícia Federal e a PGR, porém, veem indícios de participação de Fernandes em um núcleo golpista que pretendia manter Bolsonaro no poder após as eleições de 2022.
Defesa nega plano concreto e fala em estudo de riscos
O advogado Marcus Vinícius Figueiredo afirmou que o documento, conhecido como “Punhal Verde e Amarelo”, era apenas um compilado de dados e análise de riscos feitos por Mário Fernandes após a vitória de Lula nas eleições de 2022. Segundo ele, “não era um plano, não foi mostrado a ninguém, não foi compartilhado”. Figueiredo destacou: “Era um compilado de dados, um estudo de situação, uma análise de riscos que ele resolveu digitalizar. Hoje ele se arrepende de ter feito isso, mas não era um plano”.
A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) apontam que o texto sugere o uso de substâncias químicas para provocar colapso orgânico em autoridades, o que seria uma forma velada de sugerir envenenamento. A acusação da PGR afirma que Lula, Alckmin e Moraes são referenciados como Jeca, Joca e Juca. O advogado, porém, rebateu: “Vocês estão dizendo que neutralizar significa matar. Isso é uma interpretação. Não está escrito ali: ‘vamos matar'” e afirmou que o nome de Moraes não aparece no texto.
Apesar da defesa alegar que o documento nunca foi compartilhado, a denúncia da PGR sustenta que Fernandes participou de conversas com aliados de Jair Bolsonaro sobre o plano. O advogado reconheceu que o documento foi impresso no Palácio do Planalto, mas reiterou que não foi entregue ou discutido com ninguém.
Sobre mensagens enviadas por Fernandes a Mauro Cid, mencionando conversas com Bolsonaro e a possibilidade de ação até 31 de dezembro, o advogado disse que o general já esclareceu ao Supremo Tribunal Federal que não tratava de golpe, apenas de que, se algo fosse feito, teria que ser antes da posse.
General admite autoria e detalha contexto
No depoimento de quinta-feira (24), Mário Fernandes admitiu ser o autor do documento que previa o assassinato de autoridades, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes. Ele alegou que se tratava apenas de uma análise pessoal, digitalizada por costume, e que o material foi destruído após ser impresso no Palácio do Planalto.
Fernandes declarou ao STF: “É um arquivo digital. Nada mais retrata do que um pensamento meu que foi digitalizado. Um compilado de dados, um estudo de situação meu, uma análise de riscos que eu fiz e, por costume próprio, resolvi digitalizar. Não foi mostrado a ninguém, não foi compartilhado com ninguém. Hoje me arrependo de ter digitalizado isso”.
As investigações da Operação Contragolpe indicam que o plano teria sido discutido por militares na casa do general Braga Netto, ex-ministro de Bolsonaro e então candidato a vice-presidente. O documento previa o assassinato do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes como parte de uma tentativa de golpe de Estado.
Durante o depoimento, Fernandes afirmou que integrantes do entorno de Bolsonaro discutiam um decreto para fundamentar uma suposta intervenção do Executivo sobre os outros Poderes. Ele relatou ter feito um apelo ao general Ramos para que qualquer ação ocorresse dentro da Constituição Federal. Segundo Fernandes, Bolsonaro sempre buscou agir dentro da legalidade.