A Comissão de Relações Exteriores da Câmara aprovou a convocação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para explicar a visita do presidente Lula à ex-presidente argentina Cristina Kirchner.
O encontro ocorreu em Buenos Aires, durante a cúpula do Mercosul, na semana passada. Cristina Kirchner, em prisão domiciliar, precisou de autorização judicial para receber Lula.
Deputados alegam que a visita representa um gesto político e pode afetar a credibilidade internacional do Brasil.
Debate entre parlamentares
Na sessão da Comissão de Relações Exteriores, o deputado Alencar Santana (PT-SP) criticou a aprovação do requerimento, afirmando que a comissão realiza convocações “sem sentido” e “sem propósito”. Segundo ele, “o governo se manifesta ‘não’, pela presença recente do ministro nesta comissão. […] Esta comissão tenta abusar com convocações repetidas, sem sentido, sem propósito para simplesmente tumultuar o cenário político”.
Por outro lado, o deputado Fausto Pinato (PP-SP) classificou como “atitude horrível” a visita de Lula a Cristina Kirchner, mas ponderou que a convocação do ministro seria um erro. “O ministro Mauro Vieira é auxiliar do presidente. Não tem muito o que falar. Então, vejo assim: convocar um ministro para falar de uma atitude do presidente da República em relação à Cristina Kirchner? Não vejo a necessidade de convocar. Ele vai falar o quê?”, questionou Pinato.
Em resposta, o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) argumentou que a convocação se justifica porque Mauro Vieira acompanhou Lula na visita. “O ministro esteve junto com o presidente, saiu na foto junto e houve muita reclamação, até mesmo dentro do Itamaraty, para a imprensa pela participação do ministro no episódio. Não é em virtude da visita do presidente. No fundo, acho horrível o que ele [Lula] fez, mas ele faz o que quer, visita quem quer, pega mal para o país. Agora, ele estar ao lado do ministro Mauro Vieira, chefe da diplomacia, fazendo um ataque ao Poder Judiciário argentino foi o que motivou a convocação”, explicou Van Hattem.
O requerimento aprovado pela comissão destaca que a visita de Lula à ex-presidente argentina, que está em prisão domiciliar, pode ser interpretada como um gesto político e ideológico, com potencial para comprometer a imagem do Brasil no cenário internacional.
A autorização para que Cristina Kirchner recebesse Lula em sua residência foi concedida pela Justiça argentina, já que a ex-presidente cumpre prisão domiciliar em Buenos Aires.
A convocação de Mauro Vieira ocorre em meio a críticas sobre a atuação do governo brasileiro em temas de política externa e reforça o clima de tensão entre oposição e base governista na Câmara dos Deputados.