Política

Governo e Congresso enfrentam pior fase na relação segundo pesquisa Quaest

Deputados avaliam que governo terá dificuldades para aprovar agenda no segundo semestre e clima eleitoral agrava tensão

O governo federal e o Congresso Nacional reconhecem que atravessam o pior momento de sua relação desde o início do terceiro mandato de Lula. Pesquisa Quaest aponta que 57% dos deputados federais veem baixas chances de aprovação da agenda do governo no segundo semestre. O desgaste na articulação política e a antecipação do debate eleitoral intensificam o clima de tensão no Legislativo.

Ambiente político deteriorado

A pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira, revelou que a maioria dos deputados federais acredita que o governo terá dificuldades para aprovar projetos importantes nos próximos meses. O levantamento, realizado com mais de 200 parlamentares, mostra que 57% deles avaliam como baixas as chances de avanço da agenda do Executivo no segundo semestre. Esse cenário marca uma inversão em relação ao mesmo período de 2023, evidenciando o desgaste crescente na relação entre Executivo e Legislativo.

Fontes do governo admitem que o ambiente para negociações se deteriorou nas últimas semanas, mesmo antes das recentes derrotas legislativas e tensões institucionais. A pesquisa foi iniciada em maio, indicando que a percepção negativa já existia antes dos episódios mais recentes de embate político. Segundo integrantes da articulação política, a tendência é de agravamento desse quadro no segundo semestre.

Fatores que agravam a crise

Apesar da aprovação no Senado do projeto que destina recursos do pré-sal para habitação popular, o governo considera esse caso um “ponto fora da curva”. O texto aprovado também atende interesses do Congresso, como a permissão para novos leilões de petróleo, o que pode aumentar a arrecadação e liberar mais recursos para emendas parlamentares. Isso evidencia que a governabilidade dependerá cada vez mais da capacidade de conciliar interesses do Executivo com pautas que tragam ganhos políticos aos parlamentares, especialmente com a proximidade das eleições de 2026.

Impacto do calendário eleitoral e novas tensões

Além das dificuldades legislativas, o governo avalia que o debate eleitoral foi antecipado, tornando o ambiente ainda mais desafiador. A recente derrota do Planalto em votação sobre o decreto do IOF acirrou os ânimos, e a decisão de acionar o Supremo Tribunal Federal para contestar o decreto é vista como estratégia para pressionar o Legislativo. No Planalto, a percepção é que projetos com potencial de gerar ganhos eleitorais para Lula enfrentam maior resistência no Congresso, sobretudo aqueles ligados a políticas sociais ou obras estruturantes.

Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS

A instalação da CPMI do INSS para investigar descontos indevidos amplia o desgaste. A expectativa é que a comissão, com forte presença da oposição, gere mais tensões políticas ao longo do segundo semestre.

Isolamento e desafios para governabilidade

O cenário reforça a percepção de isolamento do governo no Congresso, com menor margem de negociação e risco de novas derrotas legislativas. Nos bastidores, assessores do Planalto reconhecem que será difícil avançar com propostas estratégicas sem oferecer contrapartidas ao Centrão. A governabilidade de Lula dependerá de arranjos pragmáticos e da capacidade de neutralizar o impacto de um Legislativo mobilizado por interesses próprios e pelo calendário eleitoral já em andamento.