Política

Solidariedade e PRD anunciam federação partidária para fortalecer atuação conjunta

Aliança será formalizada nesta semana com foco em superar cláusula de desempenho e ampliar influência política

Solidariedade e PRD devem anunciar nesta quarta-feira (25) a formação de uma federação partidária em evento na Câmara dos Deputados. A documentação será formalizada nesta semana, com envio ao Tribunal Superior Eleitoral.

A federação visa driblar o endurecimento dos critérios para acesso a recursos públicos a partir de 2026, unindo as legendas por pelo menos quatro anos e somando desempenhos eleitorais.

Detalhes da federação e motivações

A aliança entre Solidariedade e PRD será oficializada em cartório e, posteriormente, encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para validação. O evento de anúncio contará com a presença de dirigentes e convidados como os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

As federações partidárias obrigam as siglas a atuarem como uma só por ao menos quatro anos. Isso significa que candidaturas e decisões estratégicas devem ser tomadas em conjunto, sem possibilidade de lançamentos independentes ao Executivo. O objetivo principal é superar a cláusula de desempenho, que será mais rígida em 2026, dificultando o acesso de partidos menores a recursos do fundo partidário e tempo de propaganda.

Nos últimos anos, tanto Solidariedade quanto PRD já realizaram movimentos para fortalecer suas estruturas. Em 2023, o PRD nasceu da fusão entre PTB e Patriota, enquanto o Solidariedade incorporou o Pros. Essas ações garantiram acesso a recursos públicos e tempo de mídia, mas dirigentes avaliam que não serão suficientes para superar as novas exigências.

Segundo lideranças, a federação é considerada uma saída viável para somar votos e eleitos, garantindo a sobrevivência das siglas. A nova federação contará com 10 deputados federais, um governador (Clécio Luís, do Amapá) e 138 prefeitos eleitos em 2024. O comando ficará com Ovasco Resende, do PRD, e a vice-presidência com Paulinho da Força, do Solidariedade.

Planos futuros e eleições de 2026

Inicialmente, o foco dos partidos será consolidar a federação, mas há possibilidade de ampliar o grupo. O Solidariedade já foi cortejado pelo PSDB, e Paulinho da Força afirma que, após a formalização, a direção discutirá novas negociações. Felipe Espírito Santo, vice-presidente do Solidariedade, reforça que o momento é de priorizar a união com o PRD.

Para as eleições de 2026, a federação discute alianças para o pleito presidencial. No ciclo anterior, Solidariedade e Pros apoiaram Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto PTB lançou candidatura própria e Patriota ficou neutro. Agora, o plano é buscar uma candidatura de centro, rejeitando apoio tanto a Lula quanto a Jair Bolsonaro (PL), refletindo o descontentamento com o governo atual e o distanciamento do Planalto em relação a aliados de 2022.

Paulinho da Força participou do lançamento da pré-candidatura de Ronaldo Caiado (União) e declarou: “Nós estamos trabalhando para construir uma candidatura ao centro. Vamos trabalhar contra extremos, contra candidaturas da direita e também contra candidaturas da esquerda”.