A inflação oficial do Brasil fechou março em 0,88%, acima da projeção de 0,7% que o mercado esperava, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo IBGE.
O resultado supera com folga o 0,56% de março de 2025 e eleva a inflação acumulada em 12 meses a 4,14%, também acima da estimativa consensual de 4%.
A gasolina foi o item que mais pesou no índice: após cair 0,61% em fevereiro, o combustível disparou 4,59% em março e sozinho respondeu por 0,23 ponto percentual do IPCA.
Combustíveis dobram a alta e lideram o IPCA de março
O grupo Transportes foi o maior destaque do mês: subiu 1,64%, ante 0,74% em fevereiro, e respondeu por 0,34 ponto percentual do IPCA. Os combustíveis, com alta de 4,47%, foram o principal vetor dessa aceleração.
Em fevereiro, os combustíveis ainda aliviavam a pressão — a gasolina havia recuado 0,61% — mas o respiro durou pouco: em março, o preço disparou 4,59% e se tornou o item que mais pesou no IPCA do mês.
O óleo diesel registrou a maior variação entre os combustíveis: saltou de 0,23% em fevereiro para 13,90% em março. A guerra no Oriente Médio, que já havia forçado revisões nas projeções de inflação para 2026, chegou ao IPCA efetivo pelo preço do diesel, com impacto de 0,03 p.p. no índice. O etanol subiu 0,93%, enquanto o gás veicular recuou 0,98%.
Nos serviços de transporte, as passagens aéreas continuaram em alta, mas desaceleraram de 11,4% para 6,08%. O ônibus urbano subiu 1,17%, reflexo de reajustes tarifários em algumas cidades e de mudanças nas regras de gratuidade. Táxi (+0,26%), metrô (+0,67%) e ônibus intermunicipal (+0,22%) tiveram variações mais moderadas.
Alimentos em casa sobem quase 2% em um mês
O grupo Alimentação e bebidas avançou 1,56% em março — ante 0,26% em fevereiro — e contribuiu com 0,33 p.p. para o IPCA. Junto com Transportes, os dois grupos concentraram 76% da inflação do mês.
Os alimentos consumidos em casa puxaram o grupo, com alta de 1,94%, bem acima dos 0,23% registrados no mês anterior.
Outros grupos também contribuíram para pressionar a inflação em março. Em Despesas pessoais, a alta foi de 0,65%, impulsionada pelo encerramento da “Semana do Cinema” realizada em fevereiro: os ingressos para cinema, teatro e concertos subiram 3,95% com o fim do evento promocional.
No grupo Saúde e cuidados pessoais, os preços avançaram 0,42%, com destaque para os planos de saúde, que tiveram reajuste de 0,49%.
Resultado acima do esperado complica cenário para o Copom
Com a inflação acumulada em 12 meses a 4,14%, acima do centro da meta, o Comitê de Política Monetária (Copom) terá mais um dado desfavorável ao avaliar o ritmo de ajuste da taxa Selic nas próximas reuniões. O resultado reforça o ambiente de cautela que vem marcando as sinalizações do Banco Central ao longo do ano.
