A tentativa de delação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não será negociada com apenas um órgão. A defesa do banker procura a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República para tratar do acordo de colaboração premiada.
Vorcaro foi transferido nesta quinta-feira (19) da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da PF, no centro da capital, onde a negociação deve acontecer.
Como funciona a negociação
Nesta quarta-feira (18), o advogado de Vorcaro, José Luís Oliveira Lima, procurou a PF para informar sobre o interesse do banqueiro em firmar um acordo de delação premiada. A partir de agora, a defesa constrói com o cliente a proposta de delação, incluindo os fatos, o que é possível comprovar, as pessoas envolvidas e os políticos citados.
Essa etapa é exclusivamente entre advogado e cliente. A proposta de delação ainda não existe e nem foi apresentada aos órgãos de investigação.
Próximos passos
Depois de elaborada, a proposta será apresentada à PF e à PGR. Nesse momento, apenas o advogado participa — o banqueiro ainda não depõe.
Se for considerada consistente, são marcados os depoimentos com quem se ofereceu informações, mas ainda sem delação assinada. Essa fase antecede a assinatura do acordo.
A partir daí, negocia-se o prêmio, que pode ser uma eventual redução de pena. Se houver evolução, Vorcaro assina a delação e começam os depoimentos formais.
A transferência de Vorcaro para a Superintendência da PF foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, que supervisiona o inquérito sobre o caso Banco Master. O banqueiro é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro e envolvimento com crime organizado.
A operação que resultou na prisão de Vorcaro foi batizada de Operação Compliance Zero. O criminalista José Luís Oliveira Lima foi contratado na última sexta-feira (13) e é especializado em acordos de colaboração.
