O Ministério da Fazenda e o Palácio do Planalto descartaram qualquer socorro federal ao Banco de Brasília — seja pela via da federalização ou pelo aporte de recursos públicos para sua capitalização.
O BRB chegou a buscar apoio diretamente na Caixa Econômica Federal nas últimas semanas, mas qualquer saída por essa rota exigiria aval do governo federal. A alternativa de federalização pelo Banco do Brasil também foi descartada — o BB já havia comunicado ao TCU que não possui qualquer estudo sobre o tema.
Integrantes do governo admitiram que a Fazenda sequer conhece a dimensão real do déficit no BRB. A administração atual do banco reconhece a necessidade de capitalização superior a R$ 8 bilhões, mas investidores do mercado financeiro já trabalham com estimativas acima de R$ 15 bilhões.
A incerteza sobre o tamanho do rombo compromete qualquer estratégia de recapitalização sem auxílio público. O BRB tenta viabilizar um fundo de investimento imobiliário lastreado em imóveis repassados pelo GDF, mas o mecanismo enfrenta questionamentos jurídicos que afastam potenciais compradores de cotas.
Prazo decisivo no fim de março
O banco tem até o fim de março para apresentar o orçamento de 2025 — documento que será examinado pelo mercado financeiro e pelo Banco Central para determinar se o BRB mantém liquidez suficiente para continuar operando.
A recusa do governo federal chega um dia depois de o BRB cancelar a assembleia que votaria a emissão de novas ações, deixando a instituição sem plano concreto de capitalização à vista.
O Banco do Brasil havia formalizado ao TCU, em 11 de março, que não possui estudos, grupos de trabalho ou qualquer ato preparatório sobre a federalização — posição que o governo federal agora confirma também do seu lado.
A crise do BRB foi exposta pelas investigações da tentativa frustrada de compra do Banco Master, vetada pelo Banco Central. O inquérito revelou indícios de que o Master teria vendido ao BRB R$ 12 bilhões em carteiras de crédito falsas ou sem lastro — passivo que agora ameaça a sobrevivência do banco controlado pelo GDF.
Com notas rebaixadas pelas principais agências de risco e vulnerabilidades acumuladas desde o escândalo, o BRB chega ao prazo final sem qualquer perspectiva de socorro federal, como detalhou o levantamento do Tropiquim sobre os quatro riscos herdados do Master.
A credibilidade do banco junto ao mercado é determinante para que qualquer plano de capitalização privada avance. Sem ela, as cotas do fundo imobiliário dificilmente encontrarão compradores — e a janela de março pode se tornar o prazo mais crítico da história recente do BRB.
