O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado nesta quarta-feira (11) para relatar o pedido que exige da Câmara dos Deputados a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master.
O sorteio ocorreu horas depois de Dias Toffoli ser designado para o mesmo caso — e se declarar suspeito em seguida. Toffoli havia deixado a relatoria principal do escândalo no mês anterior por conflito de interesses com Daniel Vorcaro.
O pedido e o bloqueio na Câmara
A ação foi ajuizada pelo deputado Rollemberg, que acusa o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de adiar sem justificativa a criação da comissão investigativa. Para Rollemberg, a omissão impede o Parlamento de exercer um de seus papéis fundamentais: fiscalizar e investigar suspeitas de fraudes com impacto sistêmico.
“O presidente da Câmara está a impedir que o parlamento desempenhe um de seus mais relevantes misteres”, afirmou o parlamentar no texto da ação, ao descrever o caso envolvendo o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília).
Horas antes de Zanin ser sorteado, Toffoli havia sido designado relator do mesmo pedido — o que marcaria seu retorno formal ao universo do escândalo, menos de um mês após deixar a relatoria principal por conflito de interesses com Vorcaro. Em seguida, reconheceu o impedimento e abriu caminho para um novo sorteio.
Toffoli se afastou do caso Master em fevereiro após a revelação de que é sócio de uma empresa que vendeu parte de um resort no Paraná a fundos ligados a Daniel Vorcaro, controlador do banco. O ministro André Mendonça assumiu a relatoria.
Julgamento na Segunda Turma e prisão de Vorcaro
A movimentação no STF ocorre às vésperas de uma sessão decisiva. Na sexta-feira (13), a Segunda Turma do STF começa a julgar se mantém as determinações de Mendonça que enviaram Daniel Vorcaro de volta à prisão preventiva.
Mendonça autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero, que resultou, na semana passada, na detenção de Vorcaro. Desde que assumiu o caso Master, o ministro tem conduzido as investigações em ritmo acelerado.
Toffoli, por sua vez, sinalizou a colegas que pode participar da análise das medidas no plenário virtual do STF — movimento que pode adicionar nova tensão institucional à disputa em torno do escândalo.