Pela primeira vez na série histórica da Quaest, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparecem numericamente empatados em um cenário de segundo turno, ambos com 41% das intenções de voto.
O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas entre os dias 6 e 9 de março, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
A vantagem de Lula, que chegou a dez pontos em dezembro, foi caindo mês a mês — sete em janeiro, cinco em fevereiro — até zerar em março.
Independentes inclinam para Flávio pela primeira vez
Entre os eleitores que se declaram independentes — aqueles que não se identificam nem com Lula nem com Bolsonaro —, Flávio aparece à frente de Lula pela primeira vez nesse recorte: 32% contra 27%. Outros 36% nesse grupo preferem não votar em nenhum dos dois. Esse segmento representa 32% do eleitorado total, segundo a Quaest.
Na pesquisa anterior, em fevereiro, a relação era inversa: Lula tinha 31% entre os independentes, e Flávio, 26%.
A movimentação confirma uma tendência já sinalizada por outros levantamentos. No Datafolha divulgado dias antes, a vantagem de Lula já havia encolhido de 15 para apenas 3 pontos percentuais em menos de noventa dias — trajetória que a Quaest agora consolida ao registrar, pela primeira vez, empate numérico entre os dois candidatos.
Rejeição alta: mais de 55% descartam ambos
A pesquisa revela que os dois candidatos carregam altos índices de rejeição. 56% dos entrevistados dizem que não votariam em Lula; 55% afirmam o mesmo em relação a Flávio. Entre os eleitores independentes, os números são ainda mais expressivos: 65% rejeitam Lula e 61% rejeitam o senador.
Nos demais cenários de segundo turno testados pela Quaest — que apresentou seis adversários para Lula —, o presidente mantém vantagem. A maior diferença é de 21 pontos, no confronto contra Aldo Rebelo (DC).
Percepção de moderação e honestidade
A pesquisa também investigou a imagem dos dois candidatos. Para 48% dos entrevistados, Flávio Bolsonaro não é mais moderado que a sua família; 38% acreditam que ele é mais moderado. Entre os eleitores bolsonaristas, 77% o consideram mais moderado — índice que cai para 53% entre os independentes.
Sobre Lula, 42% consideram que ele é mais moderado que o PT e 43% discordam. A percepção de radicalismo é quase equilibrada: 46% consideram Lula radical e 46% discordam; em relação a Flávio, 45% o veem como radical e 44% discordam.
23% dizem que Lula é honesto, enquanto 69% discordam. Flávio tem avaliação ligeiramente melhor nesse quesito: 26% o consideram honesto e 62% discordam.
Quanto ao mandato, 59% acham que Lula não merece ser reeleito — ante 57% na pesquisa de fevereiro. Apenas 37% defendem a continuidade. No quadro mais amplo, 58% dos entrevistados afirmam que o país está indo na direção errada; 35% consideram que está na direção certa.