O Banco de Brasília (BRB) afastou preventivamente cinco empregados citados em investigações internas sobre as transações com o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro.
A decisão foi tomada pela corregedoria do banco, com aval do Conselho de Administração, nesta segunda-feira (14). Os nomes e cargos dos afastados não foram divulgados.
Rombo de R$ 17,5 bilhões motiva ação da corregedoria
Segundo a Polícia Federal, a gestão fraudulenta de ex-dirigentes do BRB nas operações com o Banco Master envolveu carteiras de R$ 17,5 bilhões. A instituição foi liquidada pelo Banco Central, e o governo do Distrito Federal tenta agora reaver parte dos valores para cobrir o rombo deixado no banco público.
O relatório da PF, entregue à corporação em abril — fruto do laudo forense conduzido pela Machado Meyer com suporte da Kroll — apontou que o BRB dispunha de “sinais prudenciais, financeiros e reputacionais relevantes sobre o Banco Master, formalmente incorporados ao seu ambiente informacional, mas não demonstrou sua consideração no processo decisório”.
Os peritos identificaram a participação de seis ex-integrantes da diretoria colegiada nas aprovações das carteiras do Master. Segundo o laudo, os dirigentes presentes nas reuniões ficaram vinculados documentalmente às decisões aprovadas por unanimidade, que trataram de continuidade das operações, novas aquisições, flexibilização de alertas de risco e complementação posterior de documentos. Esses gestores já haviam sido afastados da atual diretoria do banco.
Uma exceção identificada pelo laudo é o diretor jurídico Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, que não foi vinculado às aprovações porque, segundo as atas analisadas, não tinha direito a voto ou estava ausente nas deliberações.
BRB já buscava reparação antes dos afastamentos
Os afastamentos cautelares se somam a uma estratégia mais ampla do banco para responsabilizar ex-gestores. Em agosto, os acionistas do BRB autorizaram a instituição a acionar na Justiça os ex-dirigentes considerados responsáveis pelos prejuízos, com prazo de 90 dias, a partir da aprovação, para definir a lista de nomes.
O caso ganhou contornos mais graves depois que documentos internos revelaram que o Master sabotou sistematicamente as tentativas de auditoria do BRB — o que reforça o peso da responsabilidade dos gestores que, mesmo diante dos alertas, continuaram aprovando as operações com a instituição de Vorcaro.
A movimentação já havia chegado ao Supremo Tribunal Federal: em abril, o BRB pediu à Corte que eventuais acordos de delação premiada reservem recursos para cobrir um rombo estimado em até R$ 8,86 bilhões. Em nota, o banco reforça que os afastamentos anunciados agora “são cautelares e não representam antecipação de juízo em relação ao mérito das investigações”.