O Irã enviou neste domingo (10) sua resposta formal aos Estados Unidos sobre a proposta de encerrar o conflito armado que já dura mais de dois meses. A comunicação foi feita por meio do Paquistão, que atua como mediador nas tratativas.
Segundo fonte ouvida pela agência estatal iraniana IRNA, Teerã quer que a fase atual das negociações trate exclusivamente da cessação das hostilidades — antes de discutir qualquer acordo mais amplo.
Memorando temporário como primeiro passo
Fontes de ambos os lados confirmaram à Reuters que os esforços mais recentes de paz buscam um memorando temporário de entendimento para interromper os combates enquanto seguem as conversas sobre uma solução definitiva.
A garantia de tráfego pelo Estreito de Ormuz se tornou condição inegociável nas tratativas. Desde que o Irã reabriu a passagem em abril, no âmbito do cessar-fogo mediado pelo Paquistão, a via estratégica — por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no planeta — virou pilar central de qualquer acordo entre os dois países.
A proposta iraniana sinaliza preferência por uma abordagem escalonada: primeiro estabilizar militarmente a situação, depois tratar das questões estruturais do conflito. Teerã quer separar a cessação das hostilidades de eventuais compromissos políticos de longo prazo.
Impasses difíceis pela frente
Mesmo que um memorando temporário seja assinado, um acordo definitivo entre Irã e EUA enfrentará obstáculos considerados difíceis de superar. O programa nuclear iraniano encabeça a lista de impasses que precisarão ser resolvidos em rodadas posteriores de negociação.
Quatro dias antes, os dois países já estavam próximos de assinar um memorando para encerrar a guerra — com a mediação do Paquistão e o tráfego pelo Estreito de Ormuz como ponto central das tratativas. A resposta iraniana deste domingo reforça que Teerã segue engajada no processo diplomático, ainda que em seus próprios termos.
O conflito tem no Paquistão seu principal canal diplomático. A atuação de Islamabad como intermediário é um dos poucos elementos consensuais em um processo marcado por décadas de desconfianças históricas entre Washington e Teerã.