Ciência

Artemis II volta com sucesso, mas o pouso na Lua em 2028 é o verdadeiro desafio

Módulos de pouso atrasados, reabastecimento em órbita e rivalidade com a China complicam os planos da NASA
Nave Artemis II em órbita enfrenta o desafio de pousar na Lua em 2028, em rivalidade com China.

Quatro astronautas circundaram o lado oculto da Lua a bordo da cápsula Orion e voltaram em segurança à Terra. A missão Artemis II foi um sucesso técnico inegável — mas, nas palavras dos próprios especialistas, a parte fácil já acabou.

O próximo passo é pousar humanos na superfície lunar, algo que a NASA mira para 2028. O problema: os módulos de pouso contratados pela agência estão significativamente atrasados, e o plano de reabastecimento em órbita é um dos maiores desafios de engenharia da história espacial.

Para colocar astronautas na superfície lunar, a NASA contratou dois módulos de pouso de empresas privadas. A SpaceX desenvolve uma versão lunar do Starship, com 35 metros de altura, enquanto a Blue Origin constrói a Blue Moon Mark 2. Ambas acumulam atrasos significativos.

Um relatório do Inspetor-Geral da NASA, publicado em 10 de março, expôs o quadro sem rodeios: o módulo da SpaceX está pelo menos dois anos além da data original de entrega. O da Blue Origin soma oito meses de atraso, com quase metade dos problemas identificados em 2024 ainda sem solução.

O problema do combustível no espaço

Diferentemente do módulo Eagle da Apollo, que transportava apenas dois astronautas e algumas rochas, os novos módulos precisam carregar infraestrutura pesada — equipamentos, veículos pressurizados e os primeiros componentes de uma base lunar. Isso exige quantidades de propelente impossíveis de lançar em um único foguete.

O plano da NASA é criar um depósito de combustível em órbita terrestre, reabastecido por mais de dez voos de naves-tanque em intervalos regulares. Manter oxigênio líquido e metano super-resfriados estáveis no vácuo e transferi-los entre naves é, segundo o cientista espacial Simeon Barber, da Open University, uma das tarefas mais exigentes do programa.

“Se é difícil fazer isso na plataforma de lançamento, vai ser muito mais difícil fazer em órbita”, afirmou Barber. O alerta tem peso: o próprio lançamento da Artemis II foi adiado duas vezes por problemas de abastecimento antes de decolar.

A missão Artemis III, que testará o acoplamento da Orion com os módulos de pouso em órbita terrestre, está marcada para meados de 2027. A reentrada da Orion a 38 mil km/h — com os astronautas quebrando o recorde histórico de 405 mil quilômetros de distância da Terra — foi ela mesma um teste crítico que antecede esses próximos passos.

China, Marte e os limites da ambição espacial

Enquanto os cronogramas americanos escorregam, a China avança com uma abordagem mais simples: dois foguetes, módulo de tripulação separado e módulo de pouso, sem a complexidade do reabastecimento orbital. O país tem como meta pousar um astronauta na Lua por volta de 2030.

Se a Artemis atrasar — como analistas independentes acreditam que acontecerá —, a China pode chegar primeiro. A rivalidade reacende o fantasma da corrida espacial da Guerra Fria, agora com gigantes privados no centro do tabuleiro.

Quanto a Marte, as promessas de Elon Musk de enviar humanos ao Planeta Vermelho antes do fim desta década são vistas com ceticismo generalizado. A maioria dos especialistas projeta essa possibilidade para a década de 2040, no mínimo. Uma viagem de sete a nove meses atravessando intensa radiação, sem possibilidade de resgate, e o desafio de pousar e decolar de uma atmosfera rarefeita colocam o problema em escala completamente diferente da Lua.

O que já é visível é a transformação no entorno do Centro Espacial Kennedy: novos edifícios da Blue Origin e construções da SpaceX surgem ao lado das instalações governamentais que antes enviaram humanos à Lua. O lançamento em 1º de abril marcou o primeiro voo tripulado ao espaço profundo desde o encerramento do Apollo, em 1972 — e o ecossistema privado que o cercou simplesmente não existia naquela época.

O diretor-geral da ESA, Josef Aschbacher, resume o espírito do momento: “A economia da Lua vai se desenvolver. Levará tempo para montar os vários elementos, mas ela vai se desenvolver.” Cerca de 70 países já integram acordos de cooperação para exploração lunar, atraídos por recursos como o Hélio-3 — chamado de ‘ouro da Lua’ e potencial combustível do futuro.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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