Política

Mais votados em 2022 somam mandatos cassados e pouca produção legislativa

Quatro anos após votação histórica, balanço revela polêmicas, fugas e projetos que não saíram do papel
Plenário da Câmara dos Deputados refletindo a atuação parlamentar dos deputados mais votados em 2022

Quatro anos depois de conquistarem as maiores votações da Câmara dos Deputados nas eleições de 2022, os cinco campeões de votos têm em comum muito mais polêmica do que produção legislativa.

Dois deles nem chegaram ao fim do mandato: Carla Zambelli renunciou após ser condenada pelo STF e fugir para o exterior, e Eduardo Bolsonaro perdeu o cargo por excesso de faltas.

Os outros três — Nikolas Ferreira, Guilherme Boulos e Ricardo Salles — deixaram marcas distintas, mas nenhum se destacou pela relevância dos projetos aprovados.

Nikolas nas redes, Zambelli na fuga

Nikolas Ferreira (PL-MG), campeão de votos, transformou o mandato em vitrine digital. No plenário, relatou dois projetos em 2023 — nenhum avançou. Sua cena mais marcante foi subir à tribuna de peruca no Dia da Mulher, provocando as deputadas trans Erika Hilton e Duda Salabert, as primeiras da história no cargo. Os pedidos de cassação e a investigação do MPF foram arquivados.

Em 2024, assumiu a Comissão de Educação, mas não emplacou pautas conservadoras como homeschooling e Escola Sem Partido. Sua maior influência legislativa foi extraoficial: em 2025, viralizou a narrativa de taxação do Pix e forçou o governo a recuar em uma portaria da Receita Federal.

Carla Zambelli (PL-SP) praticamente abandonou o mandato. Condenada pelo STF por invadir o sistema do CNJ e por perseguir armada um eleitor às vésperas do segundo turno de 2022 — episódio que o próprio Jair Bolsonaro citou como fator de derrota —, fugiu para os EUA, buscou asilo na Itália e acabou presa. A Justiça italiana autorizou sua extradição. Antes de renunciar em dezembro de 2025, havia relatado apenas dois projetos.

Eduardo fora do Brasil, mandato cassado por faltas

Eduardo Bolsonaro (PL-SP) presidiu a Comissão de Relações Exteriores, mas cedeu o cargo ao se licenciar. Em fevereiro de 2025, mudou-se para os EUA para articular apoio do governo Trump à anistia de Jair Bolsonaro. A manobra do partido para reconduzi-lo à liderança da minoria — e assim evitar a contagem de faltas — foi bloqueada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Em dezembro de 2025, perdeu o mandato por superar o terço de ausências permitido pela Constituição. Apresentou 502 projetos ao longo do mandato, mas nenhum com sua autoria principal foi convertido em lei.

Boulos e Salles: trampolim e CPI

Guilherme Boulos (PSOL-SP) usou o mandato como plataforma eleitoral. Relatou cinco projetos convertidos em lei, entre eles um que reserva 30% das compras federais de alimentos à agricultura familiar. O projeto de regulamentação dos trabalhadores por aplicativo, do qual foi protagonista, só avançou depois que ele deixou a Câmara para assumir cargo no governo Lula.

Ricardo Salles migrou do PL para o Novo em 2024 e concentrou visibilidade na CPI do MST, da qual foi relator. Em quatro anos, apresentou 559 projetos, teve três aprovados e relatou 16 — incluindo um que restringe o acesso ao Bolsa Família para ocupantes de terra, ainda em tramitação no Senado.

O desempenho coletivo do grupo aponta uma tendência: deputados eleitos com altíssima votação individual nem sempre direcionam energia ao trabalho legislativo convencional. A visibilidade conquistada nas urnas serviu, nos mais diversos casos, como plataforma para outros projetos — cargos no Executivo, disputas municipais ou articulações no exterior.

A trajetória de Nikolas Ferreira ilustra como o deputado já apostava nas redes bem antes de chegar a Brasília. Em 2022, percorreu nove capitais do Nordeste a bordo de um jato particular para mobilizar jovens eleitores por Bolsonaro — viagem estimada entre R$ 600 mil e R$ 1 milhão que não constou na prestação de contas oficial da campanha.

A situação de Eduardo Bolsonaro se estende além da perda do mandato. Com o encerramento do cargo, a Polícia Federal abriu processo administrativo disciplinar por suposto abandono da função de escrivão em Angra dos Reis — cargo ao qual ele deveria ter retornado ao fim do mandato.

Dos cinco, apenas Ricardo Salles cumpriu o mandato integralmente sem solicitar licença formal. Ainda assim, sua atuação ficou concentrada na oposição ao governo Lula, com poucos projetos aprovados e nenhum de autoria principal convertido em lei. Guilherme Boulos foi o único que migrou efetivamente para o Executivo durante o mandato, ao assumir a Secretaria Geral da Presidência.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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