A CPI do Crime Organizado realiza na próxima terça-feira (14) sua última sessão com dois momentos centrais: o depoimento do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e a votação do relatório final elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
O documento pode propor às autoridades o indiciamento de alvos da comissão e recomendar projetos de aperfeiçoamento da legislação.
A comissão foi instalada em novembro de 2025 e encerra os trabalhos na data determinada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que rejeitou o pedido de prorrogação dos parlamentares.
Sessão decisiva para os alvos da CPI
A convocação de Castro havia sido aprovada pela própria CPI no fim de março, quando a comissão também chamou o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, para depor no âmbito das investigações sobre o Banco Master. A oitiva do ex-chefe do Executivo fluminense integra o ciclo final de depoimentos antes do encerramento.
O relatório de Vieira concentra os resultados dos trabalhos do colegiado e, após aprovação, poderá ser encaminhado à Procuradoria-Geral da República e a outras autoridades competentes para eventual abertura de processos. Além de possíveis indiciamentos, o texto pode incluir propostas legislativas voltadas ao combate ao crime organizado.
A sessão de terça reúne, portanto, o último testemunho relevante convocado pela comissão e o ato formal que encerra suas investigações — duas etapas que costumam ocorrer em momentos distintos, mas que o calendário apertado comprimiu em um único dia.
Prorrogação negada e prazo final imposto
O relator Alessandro Vieira havia solicitado 60 dias adicionais, citando um volume monumental de documentos ainda sem análise. O pedido foi negado por Alcolumbre, que impôs o encerramento para a data original.
A data da sessão final ficou definitivamente selada quando Alcolumbre comunicou ao relator, no início desta semana, que não haveria extensão dos trabalhos. Segundo parlamentares, a decisão levou em conta os riscos de manter uma investigação ativa em pleno ano eleitoral.
A negativa obrigou o colegiado a concluir em uma única sessão tanto as oitivas remanescentes quanto a aprovação do documento final — etapa que definirá o legado jurídico e político da CPI do Crime Organizado após meses de trabalho.
