O jornal americano New York Times identificou o britânico Adam Back como o possível criador do Bitcoin — a pessoa por trás do pseudônimo Satoshi Nakamoto, cuja identidade é um dos maiores mistérios da tecnologia moderna.
Back, especialista em criptografia, rejeitou a acusação em entrevista à BBC: “Não sou Satoshi, mas desde cedo foquei nas implicações sociais positivas da criptografia, da privacidade online e do dinheiro eletrônico.”
A apuração foi conduzida pelo repórter John Carreyrou, que dedicou um ano ao projeto — analisando décadas de e-mails trocados com pesquisadores e um conjunto de mensagens atribuídas a Satoshi Nakamoto, parte delas reveladas durante um julgamento em Londres.
O que conecta Adam Back ao criador do Bitcoin
Central para a reportagem é um arquivo escrito por Back em 30 de abril de 1997, cerca de uma década antes do lançamento do Bitcoin. No documento, o criptógrafo propôs a criação de um dinheiro virtual “totalmente desconectado” do sistema bancário tradicional.
A proposta detalhou características que se tornaram pilares da criptomoeda: preservação da privacidade de pagadores e recebedores, rede distribuída de computadores para dificultar o desligamento do sistema, mecanismo de escassez contra inflação excessiva e eliminação da necessidade de confiar em bancos ou indivíduos.
O NYT afirma ter analisado arquivos escritos por Back entre 1997 e 1999, todos anteriores ao white paper do Bitcoin, identificando similaridades conceituais e linguísticas que sustentam a hipótese do jornal.
Um mistério que resiste a décadas de investigação
A polêmica em torno da identidade de Satoshi Nakamoto não é nova. O Bitcoin surgiu em 2008 por meio de um documento técnico assinado com esse pseudônimo — e desde então o criador da moeda jamais se identificou publicamente, deixando de se comunicar na internet anos depois do lançamento.
O NYT, a Newsweek e outros veículos já investigaram o caso em edições anteriores, sem apresentar provas irrefutáveis. A nova reportagem é a mais ambiciosa tentativa até agora: um ano de apuração, análise forense de mensagens e material obtido de processos judiciais.
O Bitcoin funciona como um registro público descentralizado que permite transações sem intermediários financeiros. Usuários podem permanecer anônimos e negociar a moeda em plataformas de câmbio em reais ou dólares, além de usá-la para pagar por produtos e serviços. A criptomoeda hoje movimenta trilhões de dólares no mercado global — o que torna a identidade de seu criador uma questão de interesse econômico e histórico.
