O Irã mantém o Estreito de Ormuz praticamente fechado nesta quinta-feira (9). Apenas seis navios cruzaram a passagem nas últimas 24 horas — ante os cerca de 140 que transitam normalmente, segundo dados de rastreamento divulgados pela Reuters.
A paralisia do principal corredor do petróleo mundial pressionou o barril de petróleo bruto a cerca de US$ 100, mesmo após recuar parte dos ganhos ao longo do pregão.
O líder supremo Mojtaba Khamenei anunciou que o estreito entrará em uma ‘nova fase’ após a guerra com os EUA, com possibilidade de cobrar pedágio de navios como ‘reparação’ pelos ataques americanos e israelenses.
A Guarda Revolucionária do Irã determinou que embarcações naveguem pelas águas iranianas ao redor da Ilha de Larak, para evitar o risco de minas navais nas rotas habituais. Os navios devem entrar no estreito ao norte da ilha e sair ao sul, em coordenação com a Marinha da Guarda Revolucionária, conforme informou a agência semioficial Tasnim.
Na prática, a restrição equivale a um bloqueio. Dos seis navios que cruzaram Ormuz nas últimas 24 horas, apenas um era petroleiro — os demais, graneleiros. O tráfego total permanece abaixo de 10% do volume normal.
Mais de 180 petroleiros, transportando aproximadamente 172 milhões de barris de petróleo e derivados, permanecem retidos no Golfo Pérsico, segundo a empresa de rastreamento Kpler. Um navio-tanque químico estava prestes a cruzar o Golfo com destino à Índia, conforme dados das plataformas MarineTraffic e Pole Star Global.
O fechamento progressivo de Ormuz escalou após ataques a quatro navios em meados de março, quando o barril de petróleo já havia disparado mais de 5% em um único pregão. Mesmo embarcações com autorização aparente foram impedidas de navegar nas últimas semanas.
Nova fase e ameaça de pedágio
A declaração do líder supremo Khamenei pela TV estatal iraniana sugere que o Irã pretende transformar o Estreito de Ormuz em instrumento de cobrança: navios que transitarem pelo Golfo Pérsico poderão ser tarifados como forma de ‘reparação’ pelos danos causados pelos ataques dos EUA e de Israel.
O risco de minas já havia sido sinalizado semanas antes, quando a inteligência americana identificou o Irã posicionando explosivos na rota — e Trump ameaçou destruir qualquer embarcação iraniana envolvida na operação.
Estimativas apontam que o governo iraniano possui entre 2 mil e 6 mil minas navais. Segundo o Strauss Center for International Security and Law, da Universidade do Texas, dificilmente uma única mina seria capaz de afundar um petroleiro de grande porte, mas poderia causar danos sérios ao casco.
O Estreito de Ormuz é rota por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. O controle da passagem tem sido usado como instrumento de pressão pelo Irã no conflito com os EUA e Israel — e a indefinição sobre quando os petroleiros poderão retomar a plena circulação segue sustentando as cotações elevadas no mercado internacional.
