O ministro Gilmar Mendes revelou no plenário do Supremo Tribunal Federal ter ouvido de um diretor da Polícia Federal que entre 32 e 34 deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) recebiam mesadas do jogo do bicho.
A declaração ocorreu durante sessão que discute como será escolhido o próximo governador do Rio — e foi feita sem indicar datas, nomes de parlamentares ou a identidade do diretor da PF citado.
Gilmar Mendes trouxe o dado ao rebater a “perplexidade” de colegas diante do cenário político fluminense. Para o ministro, quem participou de julgamentos como o Mensalão e a Operação Lava Jato não se surpreenderia com o que se vê no Rio. “Deus tenha piedade do Rio de Janeiro. Isso não pode ser causa de decidir, mas é preciso ter isso como motivo”, desabafou.
O ministro não revelou quando ocorreu a conversa com o diretor da PF, não identificou o interlocutor — o cargo é hoje ocupado por Andrei Rodrigues — e tampouco citou os nomes dos parlamentares supostamente envolvidos. A Polícia Federal e a Alerj foram consultadas e não se manifestaram até o fechamento do material original.
Sessão marcada por tensão política
A sessão em que Fux e Gilmar fizeram as declarações é a continuação do julgamento que começou empatado em 1 a 1 na quarta-feira — com Zanin favorável às diretas e Fux às indiretas. O debate no plenário gira em torno de como deve ser definido o próximo governador após a cassação do mandatário em exercício.
Antes da revelação sobre os bicheiros, ministros já debatiam a influência do crime organizado — facções, milícias e jogo do bicho — sobre o ambiente político fluminense, o que deu o tom das falas mais contundentes da sessão.
Enquanto Gilmar escancarava a suposta infiltração criminosa na política carioca, Luiz Fux seguiu na direção oposta. O ministro defendeu os políticos do Rio e, ao responder às críticas dos colegas, ironizou: se os políticos forem ao inferno, terão “companhia de altas autoridades”.
Fux chegou ao julgamento desta quinta já isolado no colegiado: três ministros haviam rejeitado sua proposta de ampliar o prazo de desincompatibilização para seis meses. Defensor das eleições indiretas, o decano segue na contramão da maioria que se desenha no plenário do Supremo.
A posição de Fux na defesa dos parlamentares fluminenses contrasta com as declarações de Gilmar, que pintou um quadro de corrupção estrutural na Alerj — sem, no entanto, apresentar provas ou identificar os supostos envolvidos.
