A tripulação da Artemis 2 se prepara para o trecho mais arriscado da missão: reentrar na atmosfera terrestre a cerca de 38.365 km/h, em uma “bola de fogo” — como descreveu o piloto Victor Glover durante coletiva de imprensa realizada do espaço nesta quarta-feira (8).
O amerissagem está previsto para a noite de sexta-feira, na costa sul da Califórnia, encerrando a viagem que levou quatro astronautas a 405 mil quilômetros da Terra — um novo recorde histórico para seres humanos.
Os astronautas Victor Glover, Reid Wiseman, Christina Koch e o canadense Jeremy Hansen percorreram uma trajetória que os levou além do lado oculto da Lua, superando em cerca de 6.400 quilômetros o recorde anterior — pertencente à tripulação da Apollo 13 há 56 anos.
A reentrada colocará o escudo térmico da cápsula Orion à prova. Ao entrar na atmosfera, a nave enfrentará intenso atrito, gerando as chamas que deram nome à sensação descrita pelo piloto.
“Há muito mais fotos, muito mais histórias e, caramba, eu ainda nem comecei a processar o que passamos. Ainda temos mais dois dias, e passar por uma bola de fogo na atmosfera também é profundo”, disse Glover, que afirmou ter pensado na reentrada desde abril de 2023, quando foi designado à missão.
A astronauta Christina Koch comparou o programa a uma corrida de revezamento. “Temos bastões que compramos para simbolizar isso fisicamente. Planejamos entregá-los à próxima tripulação, e tudo o que fazemos é pensando neles”, afirmou.
No quarto dia de missão, a tripulação já descrevia a Lua crescendo no visor da Orion — agora, é a Terra que volta a ocupar a janela da cápsula enquanto os astronautas se preparam para o retorno final.
Os próximos passos do programa Artemis
A Artemis 2 é o segundo voo do programa multibilionário da Nasa, desenhado para levar humanos de volta à superfície lunar até 2028 — antes que a China conquiste esse marco. Nesta missão, nenhum pouso estava previsto: o objetivo foi testar sistemas e tripulação em voo ao redor da Lua.
A próxima etapa, Artemis 3, envolverá um teste de acoplamento em órbita baixa da Terra entre a cápsula Orion e os módulos de pouso lunar que a Nasa planeja usar nas missões seguintes.
A Artemis 4, prevista para 2028, seria o primeiro pouso lunar tripulado desde a Apollo 17, em dezembro de 1972. No horizonte mais amplo, a agência pretende construir uma base lunar como ponto de apoio para futuras missões a Marte.
A missão decolou da Flórida com um objetivo claro: ser o ensaio geral antes do primeiro pouso lunar desde 1972 — e, pelos recordes desta semana, cumpriu o papel com distinção histórica.
