O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revelou nesta quarta-feira (8) que aconselhou pessoalmente o ministro Alexandre de Moraes, do STF, a se declarar impedido em eventual julgamento de ações ligadas ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Em entrevista ao canal ICL, Lula disse ter citado o contrato da instituição financeira com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, como razão para o afastamento.
O presidente reproduziu textualmente o que teria dito ao ministro em conversa privada: “Você construiu uma biografia histórica neste país com o julgamento do 8 de janeiro. Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora a sua biografia.”
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central no fim de 2025 após a revelação de fraudes financeiras bilionárias atribuídas à gestão de Vorcaro. O STF seria chamado a julgar ações relacionadas ao escândalo — contexto que, segundo Lula, tornaria o impedimento de Moraes uma medida necessária para preservar sua credibilidade institucional.
A existência do contrato entre o Master e o escritório da esposa de Moraes é o argumento central do alerta feito pelo presidente. Lula não detalhou quando a conversa ocorreu nem como Moraes reagiu ao conselho.
A proximidade entre Vorcaro e o ministro já havia sido tema de controvérsia: prints revelaram que o banqueiro pediu ajuda a Moraes pelo WhatsApp horas antes de ser preso pela primeira vez, em novembro de 2025 — exatamente o pano de fundo que levou Lula a aconselhar o ministro a se declarar impedido.
O caso ganhou camadas adicionais ao longo dos últimos meses. Mensagens obtidas pela Polícia Federal sugeriram encontros pessoais entre Vorcaro e Moraes ao longo de 2025, inclusive na residência do banqueiro — padrão que, somado ao contrato com o escritório da esposa do ministro, motivou o alerta público de Lula.
A controvérsia chegou ao ponto de o próprio tribunal se manifestar: o STF divulgou nota negando que Moraes fosse o destinatário das mensagens de Vorcaro. A disputa de versões segue aberta.
Ao tornar pública sua conversa com Moraes, Lula assume um papel incomum: o de presidente aconselhando diretamente um ministro da Suprema Corte sobre conduta processual. A declaração reacende o debate sobre os limites do relacionamento entre o Executivo e o Judiciário no contexto do caso Master — e sobre a posição do ministro diante de um processo que envolve, ao mesmo tempo, a esposa, um aliado investigado e sua própria reputação construída nos julgamentos do 8 de janeiro.
