A escalada do conflito entre EUA, Israel e Irã no Oriente Médio travou a navegação comercial na região e derrubou as exportações brasileiras de carne bovina e frango para os principais mercados árabes em março. Os dados foram divulgados pela Abiec e pela ABPA nesta quarta-feira (8).
Para o Catar, a queda chegou a 55,3% no volume de carne bovina embarcada. Os Emirados Árabes Unidos, terceiro maior comprador da proteína brasileira no Oriente Médio, registraram recuo de 49% no mês.
Carne bovina: Catar e Emirados lideram as quedas
Os dados da Abiec mostram que o Egito, principal destino da carne bovina brasileira no Oriente Médio, registrou queda de 16% em março. A Arábia Saudita, segundo maior comprador, teve retração mais contida, de 7,6%. Já os Emirados Árabes Unidos, terceiro na lista, viram os embarques cair 49%.
As maiores retrações ocorreram em mercados menores da região: Catar (-55,3%), Jordânia (-44,8%), Iraque (-42,5%) e Kuwait (-34,4%). A insegurança logística e a incerteza política afastaram compradores e dificultaram o fechamento de contratos.
Ainda assim, o Brasil fechou março com crescimento de 9,1% nas exportações totais de carne bovina, alcançando 270,8 mil toneladas. Em receita, o setor arrecadou US$ 1,48 bilhão — alta de 26% sobre março de 2025 —, com outros mercados absorvendo parte do volume perdido no Oriente Médio.
O bloqueio das rotas marítimas na região não é novidade para o agronegócio. O Estreito de Ormuz já havia encarecido o frete marítimo e pressionado os preços dos fertilizantes desde os primeiros dias do conflito, com impacto em toda a cadeia produtiva brasileira.
Frango: setor mantém volume global apesar da queda árabe
O setor de proteína de frango também sentiu o baque. As exportações brasileiras para o Oriente Médio recuaram 18,5% em volume em março frente a fevereiro — mês anterior à intensificação do conflito —, segundo a ABPA.
A Arábia Saudita, principal destino do frango brasileiro na região, importou 38,7 mil toneladas em março, volume 5,3% menor que no mesmo mês de 2025. Mesmo assim, o setor registrou alta de 6% no total exportado: 504,3 mil toneladas, contra 476 mil toneladas em igual período do ano passado.
O presidente da ABPA, Ricardo Santin, destacou que as rotas alternativas têm sustentado os embarques. “São mais de 100 mil toneladas enviadas aos mercados da região no mês de março, com mais de 45 mil toneladas destinadas aos países diretamente impactados pelo fechamento do Estreito de Ormuz”, afirmou.
Santin também ressaltou a atuação do governo federal: “As gestões de facilitação realizadas pelo Ministério da Agricultura e pelo setor têm sido efetivas, garantindo oferta de alimentos para as áreas hoje atingidas pela Guerra do Golfo.”
O impacto do conflito sobre o agro brasileiro vai além das proteínas. Produtores capixabas de café e pimenta-do-reino também relataram dificuldades para fechar novos contratos com compradores da região. E o risco não era imprevisível: o Cepea já havia alertado que o Oriente Médio responde por 25% dos embarques nacionais de frango — os dados de março confirmam o cenário antecipado.
