São Paulo e Rio de Janeiro ocupam as últimas posições no país em alistamento eleitoral de adolescentes, segundo dados do TSE compilados pelo Unicef. Apenas dois em cada dez jovens de 15 a 17 anos estavam aptos a votar até fevereiro de 2026.
O Brasil tem cerca de 5,8 milhões de adolescentes entre 16 e 17 anos — faixa em que o voto é facultativo. Desse universo, apenas 1,8 milhão haviam tirado o título. A disparidade regional é marcante: enquanto o Sudeste fica para trás, Norte e Nordeste registram índices proporcionalmente mais altos.
Em São Paulo, são aproximadamente 1,19 milhão de adolescentes entre 16 e 17 anos, mas menos de 139 mil haviam se alistado até fevereiro. No Rio de Janeiro, dos mais de 419 mil jovens nessa faixa etária, apenas cerca de 47,5 mil possuíam título de eleitor — números que colocam os dois estados no fundo do ranking nacional.
O índice atual de 20,3% está próximo ao registrado em 2018 (21%) e abaixo dos 34% alcançados em 2022, quando mais de 2 milhões de adolescentes haviam tirado o título. A tendência de queda preocupa organizações que atuam na defesa dos direitos políticos dessa geração.
Para votar nas eleições de 2026, o prazo para tirar ou regularizar o título é 6 de maio. Jovens a partir de 15 anos já podem se alistar, desde que completem 16 anos até o dia da eleição. Quem vai completar 18 anos até essa data também precisa providenciar o documento para participar do pleito.
Diante do cenário, o Unicef firmou parceria com o TSE para lançar uma campanha nacional de mobilização. A iniciativa inclui ações em escolas, presença nas redes sociais e uma gincana digital voltada aos Núcleos de Cidadania do Adolescente (NUCAs), presentes em mais de 2,3 mil municípios participantes do Selo Unicef.
A proposta prevê premiar grupos que consigam aumentar proporcionalmente o número de jovens eleitores, além de estimular a produção de conteúdo criativo sobre cidadania e participação política.
“O voto é que vai fazer uma incidência direta no que vai acontecer com as políticas públicas das quais essa geração depende para o seu próprio desenvolvimento”, afirmou Gabriela Mora, especialista em Desenvolvimento e Participação de Adolescentes no Unicef no Brasil. Para ela, não basta se indignar nas redes sociais — é preciso transformar indignação em voto.
