A direção nacional do PT determinou nesta terça-feira (7) que o partido apoiará a pré-candidatura de Juliana Brizola (PDT) ao governo do Rio Grande do Sul em 2026. É a primeira vez na história que os petistas não lançarão candidato próprio ao Palácio Piratini.
A decisão foi tomada pelo Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) e representa uma intervenção inédita da cúpula nacional sobre o diretório gaúcho, que resistia à imposição e mantinha a pré-candidatura de Edegar Pretto.
O documento do GTE define que o PT deve “construir uma tática eleitoral conjunta com o PDT, e demais partidos do campo democrático, sob a liderança da companheira Juliana Brizola”. Ao mesmo tempo, reconhece Edegar Pretto como “a liderança com maior legitimidade para liderar essa construção” — um aceno que, na prática, não altera a decisão de ceder o palanque ao PDT.
A movimentação faz parte de um acordo maior entre PT e PDT envolvendo três estados. Em troca do apoio à reeleição de Lula, o PDT queria o PT como aliado no Paraná, onde Roberto Requião Filho é pré-candidato, em Minas Gerais, onde Alexandre Kalil deve concorrer, e agora também no RS.
O presidente do PT, Edinho Silva, já havia deixado claro ao diretório gaúcho que, caso não houvesse recuo voluntário, a intervenção viria de Brasília. Com a resolução do GTE, a ameaça se concretizou. A construção teve participação direta do presidente Lula, que coordenou arranjos similares com o PDT de Carlos Lupi e o PSB de João Campos em diferentes estados.
A estratégia de ter um palanque único no RS para a campanha presidencial foi comunicada reiteradamente ao diretório estadual antes da decisão formal. A decisão no RS se encaixa na resolução nacional aprovada pelo PT, que elegeu a derrota da ultradireita como eixo central de toda a tática eleitoral de 2026 — incluindo os arranjos estaduais.
Pretto resiste à imposição nacional
Mesmo após receber o documento do GTE das mãos de Edinho Silva, Edegar Pretto afirmou que segue com intenção de concorrer. “A minha pré-candidatura nunca foi um movimento pessoal e, há alguns meses, já não é apenas uma pré-candidatura do PT. Representa uma frente política que conhece o nosso estado e sabe qual é o melhor caminho para contribuirmos com a vitória do presidente Lula”, escreveu o deputado.
A resistência de Pretto coloca o PT gaúcho diante de um impasse: obedecer à cúpula nacional ou manter uma candidatura que pode romper a aliança com o PDT em ano de eleição presidencial. O cenário ainda deve ser resolvido nas próximas semanas.
A abertura de mão de candidatura própria não é exclusividade do PT gaúcho neste ciclo. O PSOL também abriu mão de candidato próprio à Presidência para concentrar forças na reeleição de Lula, sinalizando uma tendência mais ampla de unificação à esquerda entre os partidos que compõem o campo democrático.
