O Brasil registrou superávit comercial de US$ 6,4 bilhões em março de 2026, o pior desempenho para o mês em seis anos. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (7) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O saldo positivo ocorre quando as exportações superam as importações. No caso de março, o resultado ficou aquém do registrado nos mesmos meses de anos anteriores, configurando o menor superávit para o período desde 2020.
Trimestre acumula US$ 14,17 bilhões
Apesar do resultado mensal mais fraco, o primeiro trimestre de 2026 fechou com saldo positivo de US$ 14,17 bilhões — alta de 47,6% sobre o mesmo período de 2025, quando a balança acumulou US$ 9,6 bilhões. O desempenho trimestral reflete uma recuperação progressiva ao longo dos meses.
Em fevereiro, o superávit havia sido de US$ 4,2 bilhões — impulsionado pelo volume exportado de petróleo apesar da queda de preços —, compondo o acumulado trimestral que chegou a US$ 14,17 bilhões em março. Veja a análise completa: Petróleo puxa superávit de US$ 4,2 bilhões na balança comercial de fevereiro.
Soja, petróleo e minérios lideram exportações
Os destaques das vendas externas em março seguiram o padrão recente da pauta exportadora brasileira. Produtos agrícolas — com a soja à frente —, petróleo e minérios responderam pelos principais itens comercializados pelo país no período.
A agropecuária mantém protagonismo estrutural nas exportações. A agropecuária, que avançou 11,7% em 2025 com safra recorde, segue como principal pilar das exportações brasileiras — tendência que se manteve em março, com a soja novamente liderando as vendas externas. Leia mais: PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025 e guerra no Irã ameaça 2026.
China e UE lideram, EUA ficam em terceiro
Os principais destinos dos produtos brasileiros em março seguiram sendo China e União Europeia. Os Estados Unidos aparecem na terceira posição, em um momento em que o cenário de tarifas comerciais entre Washington e seus parceiros redefine os fluxos globais de comércio.
O contexto de guerra comercial internacional é considerado um dos fatores que podem pressionar os resultados da balança nos próximos meses, especialmente diante da incerteza sobre o acesso ao mercado americano e possíveis redirecionamentos de fluxo por parte de outros países.
O resultado de março como o pior em seis anos para o mês reacende o debate sobre a capacidade de diversificação da pauta exportadora brasileira além das commodities agrícolas e energéticas — setores vulneráveis a ciclos de preço e clima —, ainda que o acumulado trimestral aponte para uma trajetória positiva em 2026.
