O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pediu ao Brasil que estenda o Pix ao seu país e saiu em defesa do sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central. A manifestação foi feita no X, em resposta às ameaças de Donald Trump de impor sanções ao Brasil por manter a ferramenta ativa.
Na publicação, Petro afirmou que o modelo brasileiro é mais eficiente que o sistema financeiro americano e criticou o uso político das sanções do OFAC — o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro dos EUA.
Crítica ao OFAC e ao poder financeiro americano
Petro foi além da defesa do Pix. Em sua publicação, o presidente colombiano fez duras críticas à lista de sanções do OFAC, afirmando que o mecanismo “já não é uma arma contra o narcotráfico” e passou a ser utilizado como instrumento de pressão política sobre adversários dos Estados Unidos ao redor do mundo.
Segundo ele, grandes líderes do tráfico internacional conseguem driblar o sistema e viver com luxo no exterior, enquanto a ferramenta seria empregada para controlar dissidentes políticos — uma acusação que amplia o debate para além da esfera financeira.
A declaração de Petro é uma resposta direta ao relatório divulgado pela Casa Branca na semana passada, que classificou o Pix como prática comercial desleal por prejudicar Visa e Mastercard. No documento, o governo americano apontou que stakeholders dos EUA temem que o Banco Central dê tratamento preferencial ao sistema em detrimento de fornecedores americanos de serviços de pagamento.
A gestão Trump não mencionou o Pix diretamente, mas fez referência a “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico”, incluindo os oferecidos pelo Estado brasileiro. O uso do sistema é obrigatório para instituições financeiras com mais de 500 mil contas ativas no país.
Petro também aproveitou o post para defender uma governança global mais democrática e criticar conflitos internacionais, afirmando que guerras “não servem para nada” e geram perdas para toda a humanidade.
Lula resiste e Banco Central planeja expansão
Lula já havia reagido às críticas americanas, sendo categórico ao dizer que o Brasil não pretende recuar no uso do sistema. Em suas declarações, o presidente reconheceu a pressão, mas sinalizou que o governo pode aprimorar a ferramenta para atender cada vez melhor a população — sem qualquer concessão à Casa Branca.
O Banco Central, por sua vez, trabalha na expansão internacional do Pix. O pedido do presidente colombiano não é pioneiro na região: em março, o Banco do Brasil já havia habilitado o Pix para pagamentos na Argentina via QR code, abrindo precedente concreto para a integração regional do sistema.
O debate ganhou dimensão geopolítica: o que começou como disputa comercial bilateral entre Brasil e Estados Unidos agora mobiliza líderes de outros países latino-americanos, que veem no Pix uma alternativa à dependência do modelo financeiro dominado por Visa e Mastercard. A adesão de Petro ao coro de defesa do sistema sinaliza que a pressão americana pode, paradoxalmente, acelerar a internacionalização da ferramenta.
