O petróleo recuava na manhã desta segunda-feira (6) com negociações de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, mas o impasse sobre o Estreito de Ormuz mantinha o mercado em alerta.
Por volta das 9h45 (horário de Brasília), o Brent operava em queda de 0,33%, a US$ 108,67, enquanto o WTI recuava 0,86%, para US$ 110,58 por barril.
Teerã rejeitou a reabertura imediata do estreito — principal rota de escoamento do petróleo do Oriente Médio — em resposta a uma proposta de cessar-fogo apresentada por intermediários para encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro.
Trump pressiona com prazo e ameaças
Em resposta à recusa iraniana, o presidente americano Donald Trump afirmou que poderia “fazer chover inferno” sobre o Irã caso um acordo não fosse alcançado até o fim de terça-feira. O governo iraniano, por sua vez, declarou ter definido suas próprias posições e exigências em resposta às propostas apresentadas por intermediários.
O padrão já se repetiu antes: em 23 de março, Trump anunciou uma “pausa” no conflito e o petróleo despencou 10% em um único pregão — só para subir novamente dias depois com nova escalada das tensões. Veja como a volatilidade voltou a se repetir no pregão de março.
Ormuz bloqueado — com exceções diplomáticas
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Estreito de Ormuz permanece em grande parte interrompido após ataques iranianos a embarcações na região. Por ele escoam exportações de Iraque, Arábia Saudita, Catar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
Nos últimos dias, porém, alguns navios voltaram a cruzar a passagem: um petroleiro operado por Omã, um porta-contêineres de propriedade francesa e um navio japonês de transporte de gás atravessaram a rota desde quinta-feira — reflexo da política iraniana de liberar a passagem a países considerados diplomaticamente próximos.
Há duas semanas, os EUA já sinalizavam a possível suspensão de sanções ao petróleo iraniano — e o Brent recuou para o mesmo patamar de US$ 108 em que opera nesta segunda-feira. Relembre como o mercado reagiu ao aceno americano.
Opep+ eleva oferta, mas analistas desconfiam do alcance
Com o bloqueio das exportações do Oriente Médio, refinarias passaram a disputar petróleo do Mar do Norte e dos EUA. A competição entre compradoras asiáticas e europeias elevou os prêmios pagos pelo WTI americano a níveis recordes no mercado à vista. Na Índia, refinarias chegaram a adiar paradas de manutenção para garantir abastecimento interno.
Segundo o analista Ole Hvalbye, da SEB Research, o mercado ainda tenta calibrar o que esperar: “A principal notícia do fim de semana foi que alguns navios conseguiram atravessar o estreito”, disse. Ele também observou que a Europa perdeu parte das cargas para a Ásia num cenário de oferta mais restrita.
A Opep+ anunciou aumento de produção de 206 mil barris por dia a partir de maio. A medida, porém, pode ter efeito limitado. “Os movimentos da Opep parecem enfrentar limitações relacionadas à disponibilidade de exportações”, avaliou Janiv Shah, da consultoria Rystad. A Arábia Saudita já fixou o preço oficial do Arab Light para a Ásia em prêmio recorde de US$ 19,50 por barril acima da referência Oman/Dubai — alta de US$ 17 frente a abril, segundo a Aramco.
No front russo, ataques de drones ucranianos interromperam embarques no Mar Báltico. O terminal de Ust-Luga retomou as operações no sábado; o porto de Tuapse deve exportar 794 mil toneladas em abril, alta diária de 8,7% frente a março. Desde o início do conflito, declarações de Trump têm movido o mercado de forma abrupta: em 9 de março, uma sinalização de paz derrubou o barril 7% em questão de horas.
