O PIX encerrou 2025 com R$ 35,36 trilhões em transferências — o maior volume já registrado na história da plataforma. Agora, o Banco Central avança na chamada agenda evolutiva, com novidades previstas para este ano e outras para 2027, a depender de recursos disponíveis.
A ferramenta voltou ao centro de uma disputa diplomática: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incluiu o PIX em lista de práticas comerciais vistas como prejudiciais às americanas Visa e Mastercard.
A resposta do governo brasileiro veio em horas. Orientado pelo ministro Sidônio Palmeira, o presidente Lula foi categórico: “ninguém” vai fazer o Brasil mudar o PIX.
O que muda no PIX em 2026 e 2027
O Banco Central segue trabalhando na agenda evolutiva do sistema de pagamentos instantâneos. Além de melhorias previstas para 2026, outras novidades estão condicionadas à disponibilidade de recursos e devem chegar apenas em 2027.
Um dos projetos mais aguardados é o PIX Parcelado — alternativa voltada para os cerca de 60 milhões de brasileiros sem acesso ao cartão de crédito. O parcelamento via PIX já é oferecido por diversas instituições financeiras como linha de crédito formal, mas o BC quer padronizar as regras para estimular a competição entre bancos e reduzir os juros. Essa padronização ainda não tem prazo definido.
A ofensiva americana tem origem no Relatório de Estimativa do Comércio Nacional de 2026, publicado pelo governo Trump, que classificou o PIX como favorecimento estatal em detrimento de empresas como Visa e Mastercard.
Em Salvador, no dia seguinte à publicação do documento, Lula foi direto: “ninguém vai fazer a gente mudar o PIX”. A declaração marcou a rejeição pública do governo federal a qualquer pressão americana sobre o sistema.
Inclusão financeira e expansão além das fronteiras
Inaugurado em novembro de 2020, o PIX transformou o ecossistema de pagamentos brasileiro em menos de seis anos. Em seu quinto aniversário, o diretor de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, Renato Gomes, disse que o país estava próximo de ter “essencialmente quase todo adulto” usando a ferramenta — uma marca sem precedentes no sistema financeiro nacional.
Além de massificar o acesso bancário, o PIX foi um vetor de crescimento para pequenos negócios, presenciais e digitais, que antes enfrentavam barreiras para receber pagamentos por produtos e serviços. O impacto direto foi a inclusão econômica de milhões de brasileiros à margem do sistema tradicional.
A internacionalização já deu seus primeiros passos: o Banco do Brasil habilitou o PIX para pagamentos na Argentina via QR code, sinalizando a ambição de expandir o sistema além das fronteiras brasileiras — o que reforça o valor estratégico da plataforma num momento em que ela é alvo de pressão diplomática externa.
