Sem anunciar cessar-fogo nem apresentar saída diplomática, Donald Trump declarou nesta quinta-feira (2) que os EUA “terminarão o trabalho” no Irã. Os mercados reagiram de imediato: o petróleo subiu quase 7%, revertendo uma queda anterior de mais de US$ 1 registrada antes do discurso televisionado do presidente.
Trump afirmou que as forças americanas estão “chegando muito perto” de seus objetivos e que o conflito poderia se encerrar em duas ou três semanas — sem, no entanto, apresentar detalhes concretos sobre como isso aconteceria.
A ausência de qualquer menção a cessar-fogo ou engajamento diplomático foi o gatilho para a reação dos mercados. “Se as tensões se intensificarem ou os riscos marítimos aumentarem, o petróleo poderá testar novas altas, já que os mercados precificam possíveis interrupções no fornecimento”, avaliou Priyanka Sachdeva, analista sênior de mercado da Phillip Nova.
Petroleiro atacado em águas do Catar
O risco marítimo já deixou de ser hipotético. Na quarta-feira (1º), um petroleiro alugado pela QatarEnergy foi atingido por um míssil de cruzeiro iraniano em águas do Catar, segundo o Ministério da Defesa do país. O episódio intensificou a preocupação com a segurança das rotas de escoamento de petróleo no Golfo Pérsico.
O chefe da Agência Internacional de Energia (AIE) também alertou que as interrupções no fornecimento começarão a afetar a economia europeia já em abril. Até agora, o continente havia sido protegido por contratos de carga fechados antes do início do conflito — uma proteção que está se esgotando.
“Sem qualquer menção a um plano de cessar-fogo sólido ou a uma saída concreta, os mercados continuam a digerir as declarações do governo”, afirmou Claudio Galimberti, economista-chefe da Rystad Energy.
Na véspera, o Brent já havia subido a US$ 105 depois que Trump prometeu novos ataques ao Irã — o discurso desta quinta aprofundou a escalada sem qualquer sinalização de trégua.
A volatilidade das últimas semanas expõe como o mercado de petróleo se tornou um termômetro direto das palavras do presidente americano. Em março, uma única entrevista de Trump fez o WTI disparar 30% e desabar na mesma sessão — um nível de sensibilidade incomum mesmo para um mercado historicamente nervoso com conflitos no Oriente Médio.
O movimento desta quinta é o espelho exato de meados de março: quando Trump sinalizou o fim do conflito, o petróleo despencou 7% em horas — o mesmo percentual que agora sobe na direção oposta, confirmando a lógica de gangorra que domina o setor.
Para os mercados, o padrão está claro: sem sinal concreto de desescalada, cada declaração do presidente sobre o conflito tem potencial de mover bilhões em ativos energéticos globais. Com Trump prometendo um desfecho em “duas ou três semanas”, as próximas sessões devem seguir marcadas por alta volatilidade nos preços da commodity.
