A retomada das viagens tripuladas ao entorno da Lua, com o lançamento da Artemis II na última quarta-feira (1º), reacendeu uma corrida global por recursos estratégicos no satélite terrestre. E o Brasil quer marcar presença nessa disputa.
O país negocia um acordo bilateral com os Estados Unidos para embarcar dois projetos nacionais no programa Artemis — um satélite científico do ITA e um experimento de cultivo de alimentos da Embrapa voltado para bases lunares.
O redespertar do interesse humano pela Lua tem motivação clara: viabilidade econômica. Para Alexandre Cherman, diretor do Planetário do Rio, minerais e elementos presentes no satélite estão em evidência mais do que nunca — e o mais cobiçado deles é o Hélio-3.
Chamado de “ouro da Lua” ou “combustível do futuro”, o Hélio-3 é considerado uma fonte de energia limpa, eficiente e sem emissão de gás carbônico — e extremamente raro na Terra. Empresas privadas já se movimentam nesse mercado: uma startup norte-americana desenvolve tecnologias para extrair o material diretamente da superfície lunar.
Corrida com 70 países
Cerca de 70 países já integram acordos de cooperação para exploração lunar, incluindo potências como Estados Unidos e China. A nova corrida espacial combina disputa tecnológica, desenvolvimento científico e interesses econômicos — e, ao contrário da era Apollo, a presença humana na Lua é hoje vista como projeto de longo prazo.
A última vez que o homem pisou no satélite foi em 1972. Desde então, o acesso lunar ficou restrito a missões não tripuladas — até a Artemis II mudar esse cenário nesta semana.
Para o Brasil, a participação viria por dois projetos que dependem da negociação bilateral com Washington. O primeiro é um satélite científico de clima espacial desenvolvido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), que deverá orbitar a Lua. O segundo é uma parceria com a Embrapa para cultivar alimentos em bases lunares — os primeiros testes devem incluir grão-de-bico e batata-doce.
Da ficção científica à realidade
A ideia de cultivar alimentos fora da Terra já foi ao cinema: em Perdido em Marte, um astronauta sobrevive plantando batatas em solo marciano, cenário inspirado em pesquisas reais da NASA. Hoje, Estados Unidos e China já conduziram testes com sementes em missões não tripuladas à Lua.
A perspectiva de longo prazo é ainda mais ambiciosa. A Lua é tratada como base de apoio para futuras expedições ao planeta vermelho — e a Artemis II foi descrita pela própria NASA como ensaio geral para pousos tripulados no satélite e porta de entrada para missões a Marte.
