O primeiro-ministro australiano Anthony Albanese anunciou nesta quinta-feira (2) um conjunto de restrições à publicidade de apostas esportivas no país.
Emissoras de rádio e televisão ficam limitadas a veicular até três anúncios do setor por hora entre 6h e 20h30. Durante transmissões esportivas ao vivo nesse horário, qualquer propaganda de apostas será proibida.
A Austrália tem 27 milhões de habitantes e acumula perdas anuais de 17 bilhões de dólares — cerca de R$ 87 bilhões — em jogos de azar.
O que muda para emissoras e clubes esportivos
As restrições anunciadas em Canberra atingem não apenas emissoras de rádio e TV, mas também os próprios clubes esportivos. As empresas de apostas ficam proibidas de estampar seus logotipos nos uniformes de equipes profissionais — uma fonte relevante de receita publicitária no esporte australiano.
A publicidade de apostas esportivas tem presença massiva na mídia do país, com anúncios que incentivam o público a apostar em competições das mais variadas — do surfe às corridas de cães. Com as novas regras, esse volume será cortado dentro da janela de maior audiência.
“Estamos alcançando o equilíbrio adequado”, afirmou Albanese em discurso, defendendo a medida como um meio-termo entre a livre iniciativa do setor e a proteção da população.
A regulação do setor de apostas avança em várias frentes ao redor do mundo. No Brasil, a Receita Federal passou a exigir a declaração de ganhos com bets no Imposto de Renda 2026, reflexo do crescimento acelerado do mercado após a regulamentação das plataformas.
Ativistas pedem proibição total
Para grupos que atuam contra as apostas compulsivas, as restrições anunciadas por Albanese ficam aquém do necessário. Ativistas defendem um banimento completo de qualquer propaganda do setor na Austrália — sem franjas de horário ou limites por hora.
O argumento central é que, com R$ 87 bilhões em perdas anuais concentradas numa população de 27 milhões de pessoas, qualquer publicidade ainda permitida alimenta um ciclo de endividamento e dependência. A presença dos anúncios em transmissões esportivas ao vivo é apontada como especialmente prejudicial ao expor jovens e adolescentes ao incentivo constante às apostas.
O governo australiano, por ora, optou pela via intermediária: reduzir a exposição sem eliminar o mercado publicitário do setor. A eficácia da medida deve ser avaliada nos próximos meses, enquanto a pressão dos grupos de proteção ao consumidor segue por uma regulação mais dura.
