O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (1º) que está considerando “seriamente” retirar o país da Otan. A declaração foi dada em entrevista ao jornal britânico The Telegraph e representa o tom mais duro de Trump contra a aliança atlântica desde que voltou à Casa Branca.
O presidente voltou a chamar a Otan de “tigre de papel” e ampliou o discurso de ruptura em meio à recusa dos aliados europeus de enviar forças navais para reabrir o Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã desde o início da guerra.
O ponto de atrito com os europeus
A frustração do governo Trump com os parceiros da Otan gira em torno de um impasse concreto: o Estreito de Ormuz. O Irã fechou a passagem ao tráfego internacional no início do conflito, bloqueando rota por onde circula parcela significativa do comércio mundial de petróleo. Washington esperava que os aliados enviassem navios de guerra para forçar a reabertura — mas os europeus recusaram.
A frustração de Trump com a Otan tem pano de fundo direto: em março, ele já havia dado um ultimato de 48 horas ao Irã para reabrir o Estreito de Ormuz — e os aliados europeus se recusaram a embarcar na operação militar conjunta.
A Otan respondeu às críticas afirmando que está formando uma coalizão de países dispostos a contribuir para a reabertura do estreito. O Reino Unido anunciou que vai liderar, ainda nesta semana, uma reunião desse grupo de nações interessadas em atuar na passagem estratégica.
O governo Trump afirmou estar insatisfeito não apenas com os membros europeus da aliança, mas também com outros aliados dos EUA ao redor do mundo que rejeitaram o apelo de Washington para participar da operação naval.
Europa na defensiva
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, saiu em defesa da aliança logo após as declarações de Trump. “A Otan é a aliança militar mais forte que o mundo já viu, ela nos manteve seguros durante décadas”, disse durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira.
Starmer, no entanto, delimitou com firmeza o envolvimento britânico no conflito: “A guerra do Irã não é nossa guerra e não seremos arrastados para ela.” O premiê confirmou que o Reino Unido contribuirá para reabrir o Estreito de Ormuz por vias diplomáticas e de coalizão, mas sem aderir às hostilidades diretas.
Se concretizada, uma retirada americana da Otan representaria a maior ruptura na arquitetura de segurança ocidental desde a fundação da aliança, em 1949. A reportagem está em atualização.
