O Senado Federal recebeu nesta quarta-feira (1º) a mensagem presidencial com a indicação formal de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
A confirmação veio do gabinete do presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Até o fechamento desta reportagem, o documento ainda não havia sido publicado no sistema do Senado.
Com o recebimento, a indicação entra oficialmente em tramitação após mais de quatro meses de espera e de tensões entre o Palácio do Planalto e o comando do Legislativo.
Com a formalização, a indicação será lida em plenário e encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Caberá a Alcolumbre — que acumula a presidência do Senado e da CCJ — designar um relator e fixar a data da sabatina, audiência em que Messias será questionado pelos senadores.
É justamente nesse poder de agenda que reside a principal tensão: não há acordo entre o governo e o Senado sobre o cronograma. Interlocutores de Alcolumbre sinalizam que não há intenção de acelerar o rito, com possibilidade real de adiamento para o segundo semestre.
Mais cedo nesta quarta, o Planalto avaliava que a neutralidade de Alcolumbre seria condição suficiente para a aprovação e projetava a sabatina para o fim de abril ou início de maio. Lula aposta em virada no Senado para aprovar Messias no STF.
O atraso de um dia também chamou atenção: na terça-feira (31), o Palácio do Planalto havia anunciado o envio imediato da mensagem, mas o compromisso não se concretizou. Interlocutores atribuíram a demora a entraves burocráticos.
Quatro meses de impasse
O caminho até este recebimento foi marcado por fricções políticas incomuns. O impasse teve origem logo após o anúncio do nome de Messias, em novembro de 2025, quando a escolha de Lula contrariou a preferência de Alcolumbre pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O Planalto chegou a segurar deliberadamente a mensagem diante da resistência aberta do presidente do Senado. Alcolumbre aguarda Lula e Planalto segura mensagem de Messias ao STF.
A demora levou Alcolumbre a criticar publicamente a situação — usando o termo ‘perplexidade’ — e a cancelar uma sabatina que ele próprio havia agendado para dezembro, por falta do documento oficial.
Nos bastidores, enquanto o governo hesitava, Messias intensificou sua articulação, reunindo-se com cerca de 70 senadores na busca pelos 41 votos necessários para aprovação em plenário. Foi o próprio indicado quem pediu diretamente a Lula que enviasse a mensagem, confiante de ter o apoio consolidado. Messias promete humildade e vai ao Senado buscar votos para o STF.
