Tecnologia

Rússia avança para isolar internet e ameaça banir o Telegram

Apagões digitais frequentes e combate a VPNs levam russos a pagers e mapas de papel enquanto último app livre está na mira do Kremlin
Kremlin ao entardecer: símbolo de bloqueio de internet na Rússia e controle digital do Estado

A Rússia caminha a passos largos para se tornar uma ilha digital. Com WhatsApp, Instagram e Facebook já bloqueados, o Kremlin agora mira as VPNs e ameaça desligar o Telegram — último grande aplicativo acessível a cerca de 100 milhões de russos no país.

Diante de apagões constantes na internet móvel, parte da população recorreu a alternativas analógicas: walkie-talkies, pagers, telefones fixos e mapas impressos ganharam demanda. O cerco digital se intensificou após a invasão da Ucrânia, em 2022.

O ministro da Digitalização, Maksut Shadayev, declarou na segunda-feira (30/03) que o objetivo é ‘reduzir o uso’ de VPNs — redes privadas virtuais que permitem contornar os bloqueios do regime. Até meados de janeiro, mais de 400 serviços desse tipo já haviam sido derrubados no país, alta de 70% em relação ao fim do ano anterior, segundo o jornal Kommersant.

A pressão levou a Apple a retirar da App Store os aplicativos de VPN que davam acesso a sites censurados por Putin. Mesmo assim, novos serviços surgem para substituir os bloqueados, tornando o controle uma corrida sem fim entre autoridades e usuários.

Telegram na mira

O aplicativo criado pelo russo Pavel Durov — hoje radicado nos Emirados Árabes — é o maior alvo desta fase do cerco. Usado por soldados no front ucraniano para falar com as famílias e por prefeituras russas próximas à zona de conflito para alertar a população sobre ataques aéreos, o Telegram virou infraestrutura crítica para milhões de pessoas.

Shadayev revelou que o governo tentou, ‘em vão’, negociar com a plataforma a cobrança extra para tráfego internacional acima de 15 gigabytes mensais. O bloqueio total chegou a ser previsto para esta quarta-feira (01/04), mas autoridades podem reverter ou adiar a decisão para após as eleições parlamentares de setembro.

A justificativa oficial para as interrupções na internet móvel é o combate a drones ucranianos. Especialistas da desenvolvedora Amnezia, porém, alertam que Moscou já tem tecnologia para impor um apagão digital simultâneo em todo o país — e que os bloqueios na capital tendem a se tornar ‘mais ou menos rotineiros’.

A ameaça ao Telegram gerou reações incomuns em um país onde a dissidência pública é raridade. O governador de Belgorod, região na fronteira com a Ucrânia e historicamente alinhada ao Kremlin, denunciou que as interrupções na internet causam ‘mortes desnecessárias’ em meio ao conflito. Soldados do front, com rostos mascarados para dificultar a identificação, publicaram vídeos pedindo que o governo recue.

Na câmara baixa do Parlamento, um projeto para exigir que o Kremlin justificasse o bloqueio do Telegram chegou a votação — e foi rejeitado por 102 votos contra 77. O placar, mesmo desfavorável, escancarou o grau de desconforto entre parlamentares normalmente submissos ao governo.

Nas ruas, ao menos 12 pessoas foram presas no domingo (29/03) durante um protesto em Moscou em defesa da liberdade de expressão. Outras 25 solicitações de autorização para manifestações contra as restrições foram negadas pelas autoridades na semana anterior.

Analistas da Amnezia já observaram esse padrão no Irã — que viveu mais de 120 horas de apagão digital completo durante a ofensiva dos EUA e Israel — e alertam que Moscou tem tecnologia para replicar o mesmo feito. Do lado ucraniano, o presidente Volodimir Zelenski ironizou no X: ‘É um retrocesso de 100 anos. É melhor que eles comecem logo a usar correspondência em papel, telégrafos e cavalos.’

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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