A Receita Federal não tem prazo definido para lançar a declaração do Imposto de Renda totalmente pré-preenchida — o modelo em que o contribuinte precisaria apenas confirmar os dados já reunidos pelo Fisco, sem digitar nenhuma informação.
O supervisor do IR da Receita, José Carlos da Fonseca, fez o anúncio nesta quarta-feira (1º), um dia após o ministro da Fazenda, Dario Durigan, fixar publicamente a eliminação da declaração tradicional como meta prioritária para a pasta.
Como funciona o modelo atual e o que muda
Na declaração pré-preenchida disponível hoje, a Receita Federal carrega automaticamente informações de rendimentos, deduções, bens e direitos e dívidas e ônus reais — mas não a totalidade dos dados do contribuinte. O Fisco estima que esse formato já deve alcançar 60% dos contribuintes em 2026.
A declaração totalmente pré-preenchida seria um passo além: em vez de apenas facilitar o preenchimento, o contribuinte simplesmente validaria o que o leão já sabe sobre ele. A Receita reconhece que a consistência das informações cresce a cada ano e que, gradualmente, a necessidade de preenchimento manual tende a diminuir.
Para usar o modelo pré-preenchido atual, é necessário ter conta nos níveis prata ou ouro no portal gov.br. Quem não faz a própria declaração pode autorizar acesso à declaração pré-preenchida para qualquer CPF ou CNPJ pelo app ou site Meu Imposto de Renda — sem precisar compartilhar a senha do gov.br.
A declaração totalmente pré-preenchida seria uma evolução do modelo que a Receita Federal já disponibilizou desde o primeiro dia do prazo — em 23 de março, com expectativa de alcançar 60% dos contribuintes neste ano.
Inteligência artificial e 160 filtros por trás da meta
A ambição de Durigan tem respaldo técnico: o Fisco já acessa hoje um volume expressivo de informações dos contribuintes, usadas na malha fina. Com o auxílio de supercomputadores e inteligência artificial, a Receita realiza cruzamentos que vão desde dados simples — CPF, endereço, dependentes — até movimentações financeiras e outros registros sigilosos.
Ao todo, são mais de 160 filtros de checagem aplicados a cada declaração entregue. Esse arsenal tecnológico é exatamente o que tornaria viável uma declaração em que o leão já sabe tudo — e o contribuinte só confirma.
Na véspera, o ministro Dario Durigan havia anunciado o objetivo de acabar com a declaração tradicional do IR, pedindo à Receita Federal que finalizasse os procedimentos da transição — mas, um dia depois, o órgão admite que ainda não tem data para implementar o novo formato. A distância entre a meta política e a execução operacional ficou exposta pela própria Receita.
