O ministro do STF Alexandre de Moraes e a mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, teriam realizado ao menos oito voos em jatos executivos vinculados ao empresário Daniel Vorcaro — dono do Banco Master — entre maio e outubro de 2025.
A reportagem é da Folha de S.Paulo, que cruzou dados da Anac, do Departamento de Controle do Espaço Aéreo e do Registro Aeronáutico Brasileiro para identificar as viagens a partir de embarques no terminal executivo do Aeroporto de Brasília.
Sete dos voos teriam ocorrido em aeronaves da Prime Aviation, empresa de compartilhamento de bens de luxo da qual Vorcaro era sócio por meio de um fundo, e que tem autorização para operar como táxi aéreo. O primeiro voo identificado aconteceu em 16 de maio de 2025; o último, em 16 de outubro, quando o avião PP-BIO decolou às 19h26 de Brasília com destino a Santa Catarina.
O oitavo voo é o politicamente mais delicado. Em 7 de agosto de 2025, o casal teria embarcado num jato Falcon 2000 da empresa FSW SPE — que não possui autorização para operar como táxi aéreo. Um dos sócios da companhia é o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, preso pela Polícia Federal no âmbito das investigações do caso Master. O processo tramita no STF sob relatoria do ministro André Mendonça.
Zettel está em negociação ativa de acordo de delação premiada com a PGR e a PF — o que torna as revelações sobre os jatos ainda mais sensíveis do ponto de vista judicial.
O vínculo financeiro entre as partes já era de conhecimento público. O escritório Barci de Moraes havia confirmado um contrato com o Banco Master avaliado em R$ 129 milhões ao longo de três anos, mas negou ter atuado em causas do banco no STF. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões e foi encerrado em novembro de 2025, quando o Banco Central liquidou a instituição.
Em nota, o gabinete do ministro Alexandre de Moraes classificou as informações da Folha como “absolutamente falsas” e afirmou que ele “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro” ou de Zettel, “a quem nem conhece”.
O escritório Barci de Moraes reconheceu contratar serviços de táxi aéreo, incluindo da Prime Aviation, mas negou qualquer relação pessoal com os proprietários das aeronaves. Segundo a nota, todos os valores eram compensados nos honorários advocatícios previstos em contrato, e nenhum integrante do escritório conhece Fabiano Zettel ou viajou em aviões de sua propriedade. A Prime Aviation, por sua vez, alegou sigilo contratual e disse não divulgar dados sobre usuários de suas aeronaves.
A proximidade entre Moraes e Vorcaro já havia sido exposta pela PF: prints obtidos nas investigações mostraram que o empresário trocou mensagens com o ministro pelo WhatsApp no mesmo dia em que foi preso pela primeira vez, em novembro de 2025. As novas revelações sobre os jatos adicionam mais uma camada ao conjunto de indícios que os aproximam, enquanto o caso Master segue em tramitação no Supremo.
