A defesa de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro e preso na Operação Compliance Zero, se reuniu com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, na última semana para negociar um acordo de delação premiada.
A reunião com o relator do caso Master ocorreu logo após Zettel substituir toda a equipe jurídica que o representava. Os advogados anteriores deixaram o caso em razão de divergências sobre a estratégia de colaboração com as autoridades.
Celso Vilardi assume a defesa de Zettel
O novo representante de Zettel é Celso Vilardi, advogado criminalista com passagem por grandes operações da Justiça brasileira, como Lava Jato e Mensalão. Vilardi também esteve à frente da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro no julgamento por tentativa de golpe de Estado.
A troca foi motivada, segundo o blog da Ana Flor, especificamente pela resistência dos antigos defensores ao caminho da colaboração — o que levou Zettel a buscar um nome com perfil mais alinhado a essa estratégia. A escolha de Vilardi, experiente em casos de alta repercussão política e financeira, sinaliza que a defesa pretende conduzir as negociações com cautela.
O caso tramita sob relatoria de André Mendonça no STF desde fevereiro — foi ele quem autorizou a operação que resultou no bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens do grupo investigado. A reunião com a nova defesa de Zettel reforça que as negociações saíram do campo especulativo e ganharam contornos concretos.
Por que uma eventual delação de Zettel preocupa
A colaboração de Zettel é considerada potencialmente explosiva para as investigações. Casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, ele teve participação direta em diversos negócios do grupo — o que o torna uma fonte privilegiada de informações sobre a estrutura do esquema investigado.
Pastor evangélico e empresário com atuação em redes de alimentação e academia de luxo, Zettel, que nas eleições de 2022 figurou como o maior doador individual das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, já havia sido preso pela segunda vez na terceira fase da Operação Compliance Zero — operação que agora pode ganhar novo fôlego com a tratativa de delação.
A movimentação em torno de um acordo ocorre em paralelo às tratativas do próprio Vorcaro com a PGR: o banqueiro já assinou um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República, abrindo caminho formal para negociações.
De acordo com a Polícia Federal, o esquema envolve a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome Compliance Zero faz referência à ausência de controles internos nas instituições investigadas para prevenir crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
