Cento e vinte e dois municípios brasileiros alcançaram a marca de 100% dos alunos do 2º ano do ensino fundamental alfabetizados em 2025. Os dados são do Indicador Criança Alfabetizada (ICA), divulgados pelo Ministério da Educação nesta quarta-feira (1º de abril).
O levantamento detalha o desempenho por município e complementa recortes estaduais e nacionais já publicados pelo MEC no final de março — pintando um mapa de extremos no país.
Como o indicador mede a alfabetização
O ICA é calculado a partir de um teste aplicado a estudantes no final do 2º ano do ensino fundamental, com idade média de 7 anos. A avaliação reúne 16 itens de múltipla escolha e três de resposta construída — incluindo uma produção textual.
O corte nacional para considerar a criança alfabetizada é de 743 pontos na escala do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), referência utilizada para comparar desempenho entre redes de todo o país.
Três estados já bateram a meta nacional
O governo federal projeta chegar a 80% de crianças alfabetizadas no Brasil até 2030 por meio de uma política de colaboração entre estados e municípios. Três estados já superaram esse patamar em 2025: Ceará (84%), Goiás (80%) e Paraná (80%).
Os dados municipais chegam dias depois de o MEC revelar que seis estados ainda ficaram abaixo de suas metas individuais de alfabetização — entre eles o Rio Grande do Sul, com apenas 52% de alunos alfabetizados, a maior defasagem registrada no país.
Metas crescem progressivamente até 2030
A estratégia federal prevê que os patamares nacionais e estaduais aumentem de forma gradual nos próximos anos até convergir para os 80% em 2030. O modelo distribui recursos e suporte técnico às redes locais por meio do regime de colaboração entre União, estados e municípios.
Os 122 municípios com 100% de alfabetização representam um ponto fora da curva positivo: demonstram que o objetivo é factível — mas a concentração desse resultado em poucos endereços do mapa reforça que o desafio ainda é estrutural.
A distância entre os extremos — de um município com plena alfabetização a um estado onde quase metade das crianças não lê nem escreve na idade esperada — indica que políticas universais precisarão ser combinadas com ações dirigidas às regiões de maior vulnerabilidade para que a meta de 2030 deixe de ser aspiração e se torne realidade nacional.
