O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, marcou para 14 de abril o interrogatório de Eduardo Bolsonaro no processo em que o ex-deputado é acusado de tentar interferir no julgamento da trama golpista que resultou na condenação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Morador dos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, Eduardo será ouvido por videoconferência. A data foi definida depois que ele não apresentou defesa dentro do prazo, mesmo após ser formalmente citado pelo Diário Oficial da União.
Como chegou ao interrogatório
A citação pelo DOU foi necessária porque o endereço de Eduardo nos Estados Unidos é desconhecido pelas autoridades brasileiras. Notificado de forma oficial, o ex-parlamentar deixou transcorrer o prazo legal sem qualquer manifestação da defesa.
Com o silêncio processual, Moraes deu seguimento ao rito e agendou o interrogatório — etapa em que o investigado pode apresentar sua versão dos fatos e responder diretamente às perguntas no âmbito do processo.
A ação penal no STF apura se Eduardo tentou influenciar, a partir do exterior, o julgamento que levou à condenação de Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado. A conduta teria ocorrido enquanto o ex-deputado já estava fora do Brasil.
Mandato cassado e processo na PF
Eduardo perdeu o mandato na Câmara dos Deputados em razão das ausências acumuladas desde que deixou o país — consequência direta da saída sem retorno previsto. Paralelamente ao processo no STF, ele também responde a processo administrativo disciplinar na Polícia Federal por suposto abandono do cargo de escrivão em Angra dos Reis, aberto desde março deste ano.
A relação entre Eduardo Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes acumula capítulos. Em episódio recente, Moraes intimou a defesa de Jair Bolsonaro após Eduardo gravar um vídeo em evento nos Estados Unidos prometendo enviar o conteúdo ao pai — conduta que o ministro entendeu como possível violação das restrições impostas ao ex-presidente preso.
O interrogatório por videoconferência é o próximo passo formal de um processo que avança independentemente da presença física do réu em solo brasileiro. A realização da oitiva a partir do exterior não encerra o processo — apenas formaliza a participação de Eduardo na fase probatória antes de eventual sentença.
Com múltiplas frentes abertas — ação penal no STF, PAD na PF e mandato já cassado —, o ex-deputado segue construindo sua defesa pública nas redes sociais e eventos nos Estados Unidos, enquanto o sistema judiciário brasileiro toca os procedimentos no ritmo próprio da lei.
