O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou nesta terça-feira (31) que vai buscar o diálogo com senadores com “humildade” para garantir apoio à sua indicação ao Supremo Tribunal Federal.
A declaração veio após o Palácio do Planalto confirmar o envio da mensagem formal ao Senado — passo que abre o caminho para a sabatina.
A comunicação ao Legislativo ocorre mais de quatro meses depois de o presidente Lula anunciar o nome de Messias para substituir Luís Roberto Barroso, que deixou a Corte em outubro de 2025.
O próprio AGU, segundo fontes do Planalto, foi quem pediu ao presidente que enviasse a mensagem, após avaliar que o cenário entre os senadores havia melhorado.
Da resistência ao envio: quatro meses de espera
Indicado em 20 de novembro de 2025, Messias viu seu nome represado no Planalto por meses. O motivo era a resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que preferia emplacar o aliado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) na vaga deixada por Barroso.
O impasse não era novidade: semanas antes, o Planalto já havia segurado deliberadamente o envio da mensagem ao Senado diante da resistência aberta de Alcolumbre, que chegou a anunciar uma sabatina express para reduzir o tempo de articulação de Messias. Leia mais sobre os bastidores do impasse entre Planalto e Senado.
Para ser aprovado, Messias precisa do voto favorável de pelo menos 41 senadores na sabatina realizada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O calendário da votação fica a critério de quem preside a comissão — hoje, o próprio Alcolumbre.
“Continuarei meu empenho pela pacificação e estabilidade. Como profissional do direito, sempre valorizei o diálogo e a conciliação como as melhores maneiras de resolver conflitos”, declarou o AGU, que afirmou ainda que reafirmará seu compromisso com essas credenciais durante o processo.
Sabatina sem data e risco de longa espera
Mesmo com o envio da mensagem, não há qualquer acordo entre Planalto e Senado sobre um calendário para a sabatina. Segundo pessoas próximas a Alcolumbre, o presidente do Senado esperava uma conversa particular e presencial com Lula antes do envio — encontro que não ocorreu.
Em meados de março, os dois chegaram a marcar um encontro para tentar destravar o impasse, depois que Alcolumbre levou ao Palácio um diagnóstico de falhas de articulação do Executivo na Casa Alta. Veja como foi a tentativa de reaproximação entre Lula e Alcolumbre.
A última conversa por telefone entre os dois ocorreu há mais de duas semanas. Alcolumbre reconheceu a prerrogativa presidencial de indicar ministros ao STF, mas não firmou compromisso de trabalhar pela aprovação do AGU.
A articulação ficou delegada ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que não tem canal direto com a presidência da Casa — os dois se encontram e conversam apenas no plenário. Diante desse cenário, a tendência é que Messias aguarde mais tempo pela sabatina do que André Mendonça, que esperou 141 dias para ser votado. Naquele episódio, a demora foi protagonizada justamente por Alcolumbre, então presidente da CCJ, que tentou convencer o presidente Jair Bolsonaro a indicar o procurador-geral Augusto Aras no lugar de Mendonça.
