As empresas estatais federais acumularam um déficit de R$ 4,16 bilhões nos dois primeiros meses de 2026, segundo dados divulgados nesta terça-feira (31) pelo Banco Central. É o pior resultado para o período desde 2002, início da série histórica.
Para dimensionar o tamanho do rombo: o resultado negativo do bimestre já se aproxima do déficit registrado em todo o ano de 2025, que foi de R$ 5,1 bilhões. O recorde anterior para este período era de apenas R$ 1,36 bilhão, marcado em 2024.
Correios no epicentro do rombo
Os Correios figuram no centro da deterioração das contas das estatais. Até setembro de 2025, a empresa acumulava prejuízo de R$ 6 bilhões — número que pode ter chegado a R$ 9,1 bilhões ao fim do ano, embora o resultado fechado ainda não tenha sido divulgado.
Para conter a crise de caixa, em dezembro a estatal contraiu um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras, com garantia do Tesouro Nacional, destinado a quitar dívidas e aliviar a pressão financeira imediata. O governo também anunciou um aporte de capital direto para 2027 — modalidade que, diferentemente do empréstimo, não precisa ser devolvida.
O presidente da estatal, Emmanoel Rondon, já sinalizou que os Correios precisarão de mais R$ 8 bilhões ao longo de 2026 para enfrentar a crise. O reforço pode vir do Tesouro Nacional ou por meio de novo empréstimo.
A empresa detém monopólio sobre serviços como recebimento, transporte e entrega de correspondências e cartões-postais, além da fabricação de selos — o que torna ainda mais grave a incapacidade de gerar receitas suficientes para cobrir seus custos operacionais.
Reestruturação em marcha lenta
O colapso financeiro ocorre em paralelo ao fracasso relativo do plano de reestruturação da empresa. O PDV dos Correios acumula apenas 2.347 adesões — 23% da meta —, e a estatal admite que o prejuízo de 2026 pode chegar a R$ 23 bilhões se o ciclo de perdas não for interrompido.
O déficit do primeiro bimestre de 2026 supera em três vezes o recorde anterior para o período, registrado em 2024. Se o ritmo de deterioração se mantiver, o resultado anual das estatais pode ultrapassar com folga os R$ 5,1 bilhões de 2025.
O Banco Central acompanha os dados das empresas estatais desde 2002. Em nenhum dos 24 anos da série histórica as estatais federais haviam registrado tamanho rombo nos dois primeiros meses do ano — o que coloca 2026 em rota de colisão com as metas fiscais do governo.
