Meio ambiente

Capobianco assume Meio Ambiente com desafio de preservar avanços de Marina Silva

Biólogo e aliado histórico da ministra, novo titular conhece os limites e conquistas da pasta
João Capobianco assume ministério do Meio Ambiente, herdando avanços de Marina Silva no governo Lula

João Paulo Capobianco assume o Ministério do Meio Ambiente no lugar de Marina Silva, que deixa o cargo para disputar as eleições de 2026. A transição é feita internamente: Capobianco era o secretário-executivo da pasta e trabalha ao lado de Marina desde o início do governo, em 2023.

Biólogo com doutorado em Ciência Ambiental pela USP, ele não é um nome novo na função — já comandou o ministério brevemente em 2008, quando Marina deixou o primeiro governo Lula.

A chegada de Capobianco ao comando do Ministério do Meio Ambiente segue um padrão adotado por Lula nas trocas ministeriais motivadas pelo prazo de desincompatibilização eleitoral. O presidente anunciou a substituição de 14 ministros, optando em quase todos os casos por promover os próprios secretários-executivos — o mesmo critério que levou Capobianco ao posto.

O novo ministro herda uma pasta que saiu de índices alarmantes de desmatamento em 2023 para registrar quedas consistentes nos anos seguintes, com estratégias de fiscalização, parcerias com estados e municípios e fortalecimento das secretarias ambientais locais.

Entre as principais entregas que passam às suas mãos está o Plano Clima. Concluído em março sob forte resistência do agronegócio e do setor de energia, o plano deve orientar políticas de descarbonização em diversos setores da economia nos próximos anos — e Capobianco participou diretamente de sua elaboração.

O ministério também avançou na estruturação de cinco secretarias internas e na preparação para a COP30, conferência climática que o Brasil sediará. Capobianco esteve presente em praticamente todas as frentes.

Municípios ainda resistem às parcerias federais

Um ponto de atenção herdado pela nova gestão é a adesão incompleta dos municípios às iniciativas federais. Entre os que registram os maiores índices de desmatamento estão justamente aqueles que não aderiram ao Programa União com Municípios (UcM), criado para ampliar a cooperação no combate ao desmatamento.

Autoridade climática ficou no papel

Em 2024, Lula anunciou a criação de uma ‘autoridade climática’ para coordenar as ações do país frente às mudanças climáticas — proposta que Marina Silva defendia desde antes das eleições. A iniciativa, no entanto, nunca saiu do papel: o órgão não foi formalmente instituído, nem teve estrutura ou atribuições definidas.

Na gestão Capobianco, a tendência é que o tema continue em segundo plano. A prioridade declarada é consolidar os resultados já alcançados e ampliar ações em curso, sem abrir novas frentes institucionais.

Quem é Capobianco

João Paulo Ribeiro Capobianco tem trajetória longa na política ambiental brasileira. Além do doutorado pela USP com foco em governança socioambiental na Amazônia, tem especialização em educação ambiental pela UnB e graduação em Ciências Biológicas.

Ao longo da carreira, dirigiu entidades como o SOS Mata Atlântica, o Instituto Socioambiental (ISA) e a Rede de ONGs da Mata Atlântica, além de ter integrado o fórum preparatório de ONGs e movimentos sociais para a Rio-92. Em 2010, foi um dos coordenadores da campanha presidencial de Marina Silva, que terminou em terceiro lugar.

Sua principal declaração pública sobre os limites da pasta data de 2008: ao deixar o ministério naquele ano, afirmou que o Meio Ambiente não era tratado como pasta ‘de primeira classe’ pelo governo — e sim como um ‘mero licenciador ambiental’. Agora, cabe a ele mudar essa percepção de dentro.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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