Saúde

Brasil registra 4,3 mil mortes de crianças no trânsito em sete anos

Meninos respondem por dois terços das vítimas; SP, MG e Goiás concentram mais da metade dos óbitos registrados
Criança com sorriso e cores da bandeira brasileira, representando morte de crianças no trânsito

Entre 2018 e novembro de 2025, 4.386 crianças e adolescentes de 1 a 17 anos morreram em acidentes de trânsito no Brasil. Os dados são do Renaest, sistema federal que reúne registros de órgãos de trânsito, polícias e serviços de emergência em todo o país.

No período, foram contabilizadas 136.122 ocorrências envolvendo essa faixa etária. Os números não apresentam tendência contínua de queda — os óbitos oscilam entre 446 e 654 ao ano, sem redução sustentada ao longo da série histórica.

Perfil das vítimas e concentração regional

Meninos representam cerca de dois terços das mortes: foram 2.921 óbitos masculinos contra 1.441 femininos no período. Há ainda 24 casos sem sexo identificado nos registros.

São Paulo lidera o ranking com 1.332 mortes. Minas Gerais registrou 728 vítimas e Goiás, 413. Juntos, os três estados somam 2.473 óbitos — mais da metade do total nacional. Rio de Janeiro aparece na quarta posição, com 276 mortes, seguido por Rio Grande do Sul (230) e Santa Catarina (160).

No extremo oposto da distribuição, Amapá não registrou nenhuma morte no período. Roraima teve apenas 3 casos e Acre, 19 — os menores índices do país.

Série histórica sem tendência de melhora

O pico de ocorrências foi em 2019, com 20.537 acidentes e 500 mortes. Em 2018, havia sido registrado o maior número de óbitos: 654. A pandemia derrubou os números em 2020 — 16.156 casos e 446 mortes —, reflexo direto das restrições de mobilidade adotadas naquele ano.

Nos anos seguintes, os dados voltaram a subir. Em 2021, foram 591 mortes; em 2022, 518; em 2023, 540; em 2024, 581; e em 2025, 556. O padrão indica estabilidade — não queda. A série não voltou ao patamar de 2019 em ocorrências, mas os óbitos seguem elevados e sem redução consistente.

Na tarde de segunda-feira (30 de março), um acidente na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, ilustrou a dimensão cotidiana desses dados. Uma mulher de 40 anos e seu filho de 9 anos, Francisco Farias Antunes, morreram após serem atropelados por um ônibus enquanto andavam de bicicleta elétrica. O menino era filho do roteirista Vinicius Antunes, conhecido como Cacofonias.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o acidente ocorreu por volta das 13h. O motorista relatou que as vítimas foram fechadas por um carro, caíram na pista e foram atingidas pelo ônibus. O caso é investigado como homicídio culposo. Francisco chegou a ser socorrido, mas morreu a caminho do hospital.

Enquanto o Brasil registrou queda histórica de 77% na mortalidade infantil geral desde 1990, os acidentes de trânsito seguem sem tendência de redução — e representam uma das causas de morte de crianças que o avanço nas políticas de saúde ainda não conseguiu conter. Veja como o Brasil avançou no combate à mortalidade infantil nas últimas décadas.

Os dados do Renaest abrangem registros de órgãos de trânsito estaduais, polícias, rodovias e serviços de emergência, mas não incluem informações da Polícia Rodoviária Federal sobre rodovias federais — o que pode subestimar o total real de ocorrências no país.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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